8 de abr. de 2011

Eu sou mil:

Quanto mais cansada, mais quero movimento.
Quanto mais corro, mais quero correr.
Quanto mais me enfrentam, maior eu fico.
Tenho uma pequena e dolorida pedra apertando o dedinho do pé esquerdo. Que guardo no coração.

Tenho um coração enorme, que guarda pedrinhas, e um pequenininho, apertadinho, espremidinho, que tudo o que quer é se desapertar.

Coração grande quer voar. Coraçãozinho quer amar. E a cabeça, e a alma, e o corpo, deixam tudo voar.

6 de abr. de 2011

Da arte da observação.

A cidade das Sete Lagoas, tem um milhão de buracos.
A TV fala de abusos tão desumanos (e tão humanos) que ferem a alma, e me impedem de deixá-la ligada.

O meu ibope, só tem música boa e amigo fiel.

No caminho da dureza de crescer, vou caminhando e calando.
Ouvindo os que tem algo a ensinar. Escutando.

Pensando na real necessidade de questionar tudo, de assimilar tudo, de elocubrar sobre todos os assuntos, todos os sons, todos os figurinos, comentários, posts, pra ser mais atual.

Pensando que nem sempre os amigos fiéis falam só o que é para o seu bem: tudo o que você diz é para o SEU bem?

A arte de crescer ensina a arte de calar. A arte de calar ensina a arte de observar.
E eu, escuto os sons que me indicam, recordo momentos felizes em fotos feias, me divirto com as bobagens do dia-a-dia. Passo por cima das maldades, rezo por mim, pelos amigos, e pelos malfeitores.

Com fé em Jorge, café na caneca, sono forçado: sonho alto.

29 de mar. de 2011

Das coisas que sei de mim

É que quanto mais eu sei de mim, menos consigo saber de você.

28 de mar. de 2011

Das questões do tempo.

É que mesmo que faltem milhões de pedaços dentro de mim, me falta ainda mais tempo para encontrá-los.

Acho que este é o princípio da necessidade de se dar tempo:
É preciso tirar do tempo que se dá aos outros, o tempo de dar atenção pra si.

É preciso tirar de si, o olhar impiedoso dos outros sobre o que se faz do próprio tempo.
É preciso ter tempo de se olhar, de fora, e ver como o tempo (e as conseqüências dele) te fizeram crescer.
É preciso olhar os outros (e os problemas dos outros) como outros problemas, que não os seus problemas.
É preciso ir-se amadurecendo: amadurecimento pede tempo.

É preciso ter tempo de se questionar, é preciso ter tempo de se perdoar, é preciso ter tempo de se sacrificar.

É preciso ter tempo de entender o fundamento do que se faz.
A cada segundo.

12 de jan. de 2011

Sabe?

Você sabe me tirar o ar.
Sabe me tirar do chão.
Sabe me tirar o juízo.

Você sabe diminuir meu fôlego.
Sabe ampliar meus planos.
Sabe angustiar meus sonhos.

Você sabe o que eu quero de você.
Sabe o que eu tenho pra te dar.
Sabe o que fizemos mal-feito...

Você sabe me desestruturar,
Sabe me desmanchar,
Sabe me despir (de pudores, de poderes...)

Quando será que chega o dia,
pra alívio completo da minha vida,
em que você sabe se vai, ou se fica?

31 de dez. de 2010

Retrospectiva 2010:

essa coisa de ano novo, pra mim é data inventada.

mas pensar que tem coisa que não acaba com o ano, que tem coisa que não passa nem com promessa, que não tem solução pra tudo, dá vontade de entender o porque é que nem tudo precisa de solução.

ou que solucionar nem sempre é por fim, que solucionar pode vir a ser começar, ou recomeçar.

aproveitando a "invenção de moda" para fazer um balanço, tenho muito o que agradecer.
2010 foi um ano lindo. inesquecível. mas o que faltava na última virada, ainda falta hoje.

espero estar achando o caminho.

22 de nov. de 2010

4 anos se passaram e me sinto na obrigação de repetir:

eu, um pedaço de quase nada,
hoje sou ainda menos.
me falta um pedaço, um laço, um braço.
me falta um abraço.
me sobram sonhos, me falta chão.
falta pé na terra. sobram elevadores.
e eu relevo e me elevo.
E o chão, cada dia mais longe,
é ainda alento.
e eu tento.

21 de nov. de 2010

Cabeça vazia, oficina da auto-crítica?



Dentro, bem dentro, há um misto de desapontamento e decepção.
Parecidos, mas diferentes.

Não quero crer na tormenta, com tanto sol batendo na nuca.

Procuro entender o que falta; descubro que este é meu estilo de vida.
Ando vivendo de fugir do que não quero, e não de buscar pelo que quero.

Não sei se sou eu que escondo minhas capacidades, ou se são os outros que não as querem ver. Mas continuo dando tudo de mim, mesmo que doa.

Continuo incompreendida, incompreensível, incompreensiva.

Infeliz? Me recuso! Mas vivo em busca do que falta...
Queria que a falta tivesse nome, queria não me envenenar do sistema, queria amar sem este medo que me entorpece, queria me expor por inteiro, sem medo algum da opinião alheia.

Me sinto fraca para lutar contra mim mesma. Me sinto culpada da minha falta de fé na vida. Me sinto incomum, inadequada, deslocada. Não sou o que esperam que eu seja, não quero o que se espera que todo mundo queira da vida. E fica a questão: onde achar um ponto de equilíbrio para ter o que todos tem, viver como todos vivem, sem sofrer o remorso de estar me obrigando a ser quem eu não sou?

27 de set. de 2010

Com ou sem parênteses?

Faz tempo, foi-se embora aquela expectativa toda.
Aquela euforia a cada pequeno passo. (Seria esta a química da paixão?)

Foram-se as lágrimas, ficou uma mágoa pequenina e insignificante.
Foi-se a agonia à espera do amanhã, vieram as certezas das precipitações de ontem.

Foi-se o ódio ao me confrontar com seu telefone desligado;
Ficou somente a constatação. (Sem julgamentos!)

Foi-se a certeza de que fiz tudo certo. (Ficou a certeza de que fiz tudo que pude.)
(Foi-se a certeza de que não te magoei) Ficou a dúvida sobre o que te fiz sentir.

Faz tempo, entendi que algumas coisas permaneceriam...
Impregnadas nos tecidos, nas narinas, nos desejos, nos sons, nos lugares.
(Desisti de lutar contra; bobagem! Somos mesmo bastante parecidos.)
Melhor pensar que algumas coisas também permaneceram em você.

Há pouco, admiti pra mim mesma os meus atropelos;
Entendi que te fiz mal, querendo te fazer mais homem.
Tive vergonha de mim; entendi que eu mesma ainda não era tão mulher assim.

Aquelas coisas, as que permanecem, hoje não me tocam mais tão profundamente.
(Pode ser que toquem, mas simplesmente pelo que realmente são, não mais pelo significado que eu gostaria outrora de decifrar em cada vírgula.)

Bom saber que minha música ainda toca no seu repertório,
Que você ainda se encaixa no meu colo.
(A paixão que me tirava os sentidos foi-se embora, mas) O gosto é o mesmo.

Aliás,
Acho que agora gosto mais de você arroz-com-feijão do que capelleti de espinafre.
(Ficou na minha memória um gosto latente de boca suja de cotidiano.)

Gostaria bastante do sabor suco de laranja fresco no café-da-manhã preguiçoso de um domingo qualquer (completamente despretensioso):

E você pediria (com aquele tom manso de quem sabe o que quer) que preparasse seu suco (porque não compactua com meu café), sem hesitar em me ofender com seu comodismo.

E eu já o teria feito (enquanto fervia a água, juntava as bagunças e te via dormir aquela hora a mais de sempre) sem hesitar em concordar com seu comodismo, sem reclamar da sua preguiça, sem te chamar de filhinho-da-mamãe. (Porque gosto de você manso, espalhado, menino criado a pão-de-ló)

E ouviríamos as músicas que um dia me enlaçaram no seu bom-gosto musical,
E daríamos risadas da fuga estratégica da animação do sábado dos nossos amigos.
E manteríamos o ritmo lento e a respiração carregada que deve ter um bom domingo,
Sem pensar no amanhã.

(Porque agora, tomada deste sentimento sem-nome mais maduro mas ainda completamente puro, entendo que é assim que todas as coisas devem ser.)

14 de set. de 2010

Do dilema da falta

Vai-se abrindo, cá dentro, um ponto ínfimo de dúvida.
A dúvida vira buraco.
O buraco é falta.

A falta é certeza da ausência.
De que? De quem?

Já nem sei.

Sei que o buraco cresce, e machuca.
Sei que o buraco está em mim, mas não é meu.

A falta que faz o encaixe do buraco é fome negra,
É sapo engolido, é dor de cotovelo,

É falta. É dúvida. É solidão.

13 de set. de 2010

Naquele lugar

Por aquela estrada,
Naquele caminho sem luzes e sem placas,
Vamos perdendo as referências,
Nos desnudando dos nossos preconceitos habituais,
Voltando a ser nós mesmos.

Por aquele caminho certeiro,
Passando por aquelas cidades minúsculas,
Vamos dizendo das coisas da vida,
Vamos pensando nas coisas do tempo,
Vamos ouvindo as canções que nos embalam.

Noite afora, chegamos naquele lugar:

Aquele lugar que é só nosso.
Aquele lugar onde as coisas acontecem.
Aquele lugar onde as mãos se tocam,
Onde a noite é silêncio,
Onde a cama é simples e os pensamentos vazios.
Aquele lugar onde podemos ser nós - juntos.

Em que nada é preocupação, em que tudo é amor genuíno.
Naquele lugar em que nós somos nós e existe um sentimento puro, livre da opinião alheia, banhado pelas águas limpas, cultivado com pé-no-chão.

Naquele lugar...

12 de set. de 2010

Das dúvidas do sentir

- Eu teria direito, ou simplesmente agiria por impulso?

Sentira falta, admitira. Apesar de guardar consigo uma mágoa de dor mal-resolvida, não conseguia sentir aquela obrigação dos orgulhosos de se afastar e se enraivecer.

- Se o orgulho não vence a falta, será que o sentir seria maior que a dor?

Se desdobrara em sentimentos confusos, em braços escusos, mas não mais firmara certeza em outro alguém. Quisera sumir, abandonar; quisera não-sentir. Não podia.

- Não podia, ou não queria?

Quisera não querer. Quisera esquecer, apagar, afanar o sentir e afagar o orgulho próprio. Mas nada a fizera enxergar este orgulho vencendo o sentir.

- E o sentir, é possível nomear?

Quisera entender, compreender, quisera esclarecer, nomear, renomear, soletrar, se fosse possível. Tinha sempre uma venda nos olhos dividindo o sentir em partes impossíveis de se juntar e classificar.

- Qual o problema da dúvida?

Tentara entender como conviver com a dúvida. Não conseguia. Tentara perdoar, tentara esquecer, tentara não sentir. Nada resolvia. A dúvida a impedia de agir.

A cabeça não deixara falar o coração.

Buscava, então, nos braços daquele afago de outrora, entender a 'querência' do seu sentir.

29 de jul. de 2010

e se...? ou - lá em pandeiros!

e se eu fosse capaz de dizer o que ninguém disse ainda?
e se eu pudesse?

e se eu entendesse à tua alma melhor do que conheces, maior do que compreendes?
e se tu não quisesses?

e se fosses capaz de ver, nas entrelinhas dos meus olhos tristes, quais são meus reais desejos?
e se eu permitisse?

e se meus olhos se abrissem ao tocar dos teus e fossem juntos, bem mais que dois?
e se pudéssemos tentar?

e se tudo o que disseram sobre nós fora uma doce verdade?
e se quiséssemos?

e se tentássemos, e fugíssemos, e nos escondêssemos além da mata, ao lado da cachoeira, onde mais planejamos nos guardar do mundo, nos abrir um pro outro?

e se ficássemos, pra sempre, e se nos uníssemos, e parássemos o tempo, e se não pensássemos mais em nada?

13 de jul. de 2010

Se você viesse

Eu limparia a terra,
Eu plantaria a horta.
Eu pintaria as janelas de azul anil.
Eu varreria os ventos das canções mal-acabadas e sopraria a poeira de dias infelizes.

Eu trocaria os lençóis,
Eu pensaria em canções,
Eu planejaria o quarto que um dia seria dos meninos.
Eu tentaria não chorar todos os dias ao ver-te entrar.

Eu suspiraria todas as noites,
Eu cantaria todas as manhãs,
Eu esperaria todo anoitecer,
Eu dormiria por alguns segundos com as tuas mãos em meus cabelos inebriada com teu cheiro.

Eu seria tua,
Eu seria minha, com os pés na terra e os vestidos voláteis.
Eu seria a mãe das meninas de cabelos revoltos e dos meninos dos pés descalços.

Eu ensinaria a plantar,
Eu colheria do pé,
Eu escolheria o sabor.
Eu alimentaria a eles, e a ti, como a mais devota das mulheres.

Eu teria mais fé,
Eu seria mais mulher,
Eu teria mais amor,

Se você viesse.

21 de mai. de 2010



De que adianta se esconder do mundo, se munir de argumentos, se armar de escudos, e máscaras, e tantas faces, se quando o mundo quer, corre água por todo lado, que pode te tomar de gratas surpresas ou desgraças e moléstias imprevisíveis e pode ser que não haja pé capaz de correr do que está por vir?

será que está aí o erro?

acho que não me meto em relacionamento nenhum, aliás, nem cogito, sem antes pensar nos filhinhos, no sossego, na casa escondida, na horta no quintal. (às 02:45 da manhã numa conversa um tanto filosófica)

11 de abr. de 2010

das coisas que carrego comigo

carrego aqui dentro uma certeza:
de que a vida é sempre bonita, mesmo que por caminhos tortuosos.

carrego comigo a fé:
em mim, nos outros, no homem, no Homem.

carrego nos ombros dores dos outros, paixões mal-resolvidas, saudades eternas.

carrego um sorriso largo:
sorriso que não sabe se fechar, mas que nem sempre é sinal de felicidade; mas que jamais é falso. sorriso pra mim é filosofia de vida.

carrego nos olhos baixos tristeza:
talvez uma tristeza tão profunda que eu mesma não conheça bem;
talvez uma tristeza simétrica, ou assimétrica: tenho poucos e claros cílios, apesar da minha carinha de boneca.

carrego em mim uma paz de espírito que quase nunca se vê; sou furacão.

9 de abr. de 2010


em tese a vida é fácil:

acordar, comer, banhar, trabalhar, comer, banhar, dormir.

por vezes, amar. raras as doces vezes de amar.

será que é isso o que dificulta vida?

por vezes, sonhar. sonhar é um alívio pras querências.

por vezes, sofrer. sofrer é realmente preciso?


"o amor na prática é sempre ao contrário" Cazuza
pensa comigo:

frio dá fome,
fome dá gula,
gula dá vontade de comer doce.

frio com gula dá vontade de brigadeiro de colher.
brigadeiro de colher gasta meia-hora em cima da panela, mexendo sem parar.
e minha cama tá uma delícia.

e de segunda pra frente, vou ter que acordar 6:30 da manhã. todo dia.
e trabalhar o dia inteiro. trabalhar muito por um salário mísero.

mas num emprego bacana! poxa, um emprego! nem lembro a última vez que tive um... trabalho, faz tempo, sempre to trabalhando de um jeito ou de outro. mas emprego faz tempo... mas não desmereço meus trabalhos... em termos de dinheiro, talvez venha a ganhar até menos... mas, pô! empreeeego! fala isso pro seu pai, se ele prefere uns trampos ou emprego? aff! to feliz!

mas por outro lado, dói. é feio saber que meu currículo bacana vale muito em tese, mas que mal-mal eu pagarei as roupas que preciso comprar pra trabalhar bem-vestida.

aff... é só um desabafo! daqui de cima da minha cama confortável, de meia nos pés, no escurinho, curtindo preguiça no meio da tarde. talvez a última das minhas tardes de paz. talvez sonhando com a correria que virá.

pensa comigo: melhor ficar deitadinha aqui, não?

25 de jan. de 2010

4 de jan. de 2010

O ser sem palavras

Eu, tal qual Palomar, aquele de Calvino, queria morder a língua três vezes e emudecer antes de falar. Queria que me acabassem as palavras tal qual me inundam os pensamentos.

Eu, tal qual devia ser, sou mais sentimental que ele(s). E os deixo embalar a trilha sonora dos momentos de silêncio - ou de agonia - já que falam bem por mim.

Enquanto trabalho em excesso, me sobe pelo esôfago aquela intragável sensação de que ficar calada - e sozinha - literalmente dói. É como se, ao emudecer, engolisse ar para não falar - engolisse sapos para ter o tempo necessário de pensar.

Eu, tal qual no outro ano, passei por este a tão pouco findado a esmo: pensando muito, lendo pouco, tentando entender sempre mais de mim - talvez para tentar entender sempre mais dos outros.

Tentei outra vez que amor não doesse - e doeu. Pensei em desistir... mas não seria eu.

Me faltam palavras da boca pra fora - graças a Deus - mas sobra a certeza que nem sempre tudo precisa ser dito.

Bruna Veloso

22 de nov. de 2009

Porque Cazuza é a lição, mas Vinícius, a cartilha.

“E quando acaba a gente pensa que ele nunca existiu...”



“Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.”



Lição? “Quero a sorte de um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida.”

26 de out. de 2009

Beijos de Beco

Beijos de Beco
Kátia B
Composição: Katia B/ Laufer/ Fausto Fawcett

Eu uso batom e deixo minha boca vermelha
Eu digo que é bom e faço o que me dá na telha
E deixo que digam ,que pensem , que falem
Deixo que maltratem, desacatem por aí
Pois ninguém sabe, ninguém vê
O que eu sinto por você

Orgulho da soberba vontade
Imperativa que habita teu gozo
Inconsciente, é sonho inconsciente
Feminina fantasia que encurrala tua vida
Em beijos de beco,em beijos de beco
Na fronteira do desejo, do mistério, da vontade

Sei que a sua mente, sou a sua mente
Sei que a sua mente, sou a sua mente, sei da sua mente, seja sua mente

Sorrateria ênfase do impulso selvagem
Abandono tudo pra provocar
Sensação feminina que fascina
Sensação…

Sei que a sua mente, sou a sua mente
Sei que a sua mente, sou a sua mente, sei da sua mente, seja sua mente

dancing all night
kissing free
dance with me to make me happy
let me know you by the touch of your hands
while the world is running round and round
in your arms I disappear
eu me lembro
de voar
nos teus braços
bem devagar

9 de out. de 2009

da inevitável tarefa de ficar pra titia...

sou tão grande ao ver dos primos pequenos, que eles me perguntam porque eu não tenho filhos...

minhas amigas quase de infância: uma de resguardo, uma quase em trabalho de parto, uma quase comemorando 1 ano do gostoso do joão!

dá um pesinho de ver a vida passando, dá aquela vontade desajuizada que passa em um segundo de antecipar os filhos bochechudos mesmo com a certeza da hora errada, dá uma sensação nítida de que podia ser com você!

meu assunto atual maior é contração, batizado, lembrancinha de maternidade. pelo menos ganho uma afilhada gostosa logo logo e me contento em pageá-la. bom é que o exemplo tanto é tentador, quando é educativo...

haja juízo!

29 de jul. de 2009

bom de não ter nada, é que não há o que perder! :)

tudo que vale é família, tudo que vier é lucro, toda boa companhia é bem vinda.
todo bom vinho é dinheiro bem gasto, todo bom músico deveria tornar-se rico.

tudo que é feito com fé, suor, e amor, faz bem.

faço tudo o que posso, e não tenho nada. não tenho o que perder.




no entanto, ouço as melhores músicas, tenho bons amigos por perto, e fico pobre tomando vinho bom.

Solidão ( TOm zÉ)



Solidão, que poeira leve
Solidão, olha a casa é sua

Na vida, quem perde o telhado
Em troca recebe as estrelas
Pra rimar até se afogar
E de soluço em soluço esperar
O sol que sobe na cama
E acende o lençol
Só lhe chamando
Solicitando

Solidão, que poeira leve
Solidão, olha a casa é sua
O telefone chamou
Foi engano

Solidão, que poeira leve
Solidão, olha a casa é sua
E no meu descompasso o riso dela

Se ela nascesse rainha
Se o mundo pudesse aguentar
Os pobres ela pisaria
E os ricos iria humilhar
Milhares de guerras faria
Pra se deleitar
Por isso eu prefiro cantar sozinho

Solidão, que poeira leve
Solidão, olha a casa é sua
O telefone chamou, foi engano
Solidão, que poeira leve
Solidão, olha a casa é sua
E no meu descompasso passo o riso dela
Solidão (solidão)

8 de jul. de 2009

Porque Matamos Nossos Pais (Fernando Bonassi)

Porque a velocidade tende a abalar o equilíbrio dos tempos. Porque o espaço não se comporta como antigamente e foi cercado de interesses. Porque os interesses são maiores que a satisfação e a satisfação nos mete medo. Porque a exaltação do medo é igualmente erótica. Porque a energia é magnética e os opostos se retraem. Porque há mais oposição na igualdade do que sonham nossas consciências pesadas. Porque ninguém tem culpa. Porque nos enchem o saco. Porque nos deixam levar. Porque perdemos o rumo e, quando vamos perguntar, vossa ignorância nos assusta. Porque os jogos não domam nossos impulsos. Porque não sabemos o que fazer de nossa sofreguidão. Porque as pistas estão desencontradas, os marcos foram embaralhados e as lições não fazem sentido. Porque aprendemos o que não nos serve. Porque aquilo que nos serve não pode ser aprendido nos seios maternos. Porque há um incômodo moderno nas boas causas de família. Porque a família se reúne mas não se encontra. Porque os encontros são furtivos e recheados de gagueira ou porrada, quando não os dois. Porque a inocência está acabando. Porque a violência é um princípio. Porque é preciso crescer. Porque é preciso vencer. Porque é essa a pior herança com a qual temos que nos haver. Porque o preço da vitória pode ser alto demais. Porque haverão de nos incomodar menos. Porque a renda é mal distribuída e as gerações são mal-acostumadas. Porque o conforto e a serenidade suspeita de alguns é proporcional ao sofrimento dos muitos outros intranquilos. Porque é preciso enfrentar os mistérios do mercado e conhecer os valores das bolsas escondidas. Porque os armários fervem de contratos e as apólices dormem apetitosas nas gavetas. Porque as armas dos crimes se expõem desavergonhadas nas paredes. Porque Deus prefere ensinar a pescar por linhas tortas a nos entregar desde logo o peixe da razão. Porque a razão pode ser um mistério doloroso. Porque há prazer nisso tudo. Porque o prazer se tornou incomunicável. Porque os cientistas deram pra multiplicar as explicações. Porque a natureza está sem jeito, tornando as previsões imprevisíveis. Porque o descontrole contagia os púberes e seus púbis. Porque as drogas permitidas nos viciam de idéias. Porque podemos dançar a qualquer momento. Porque a História é essa mesma e deu pra repetir-se coberta de floreios. Porque nunca foi tão difícil saber pra que lado atirar... Porque somos vaidosos. Porque temos espinhas. Porque devemos superá-los, porque queremos escondê-los. Porque somos egoístas. Porque o estigma também nos qualifica entre mortos e feridos. Porque as soluções justas são postergadas. Porque o julgamento é lerdo e a pena é curta. Porque os corpos de delito culpam a burocracia das instituições e as instituições se defendem com salários extorsivos. Porque os diplomatas e os generais costumavam estar protegidos das bombas. Porque temos pressa. Porque temos asco. Porque é uma prova de amor terrível. Porque o amor e a desconfiança estimulam-se reciprocamente. Porque os heróis são amestrados e os vilões são instruídos. Porque os lares foram destruídos e os laços foram apertados nos pescoços dos mais fracos. Porque precisamos dar um livro, uma reportagem, uma novelinha que seja, se não pudermos mais plantar qualquer esperança numa árvore. Porque estamos cansados de esperar a esperança fincar nossas raízes e morrer por último. Porque somos calculistas e a indenização não é lá essas coisas. Porque o filho do peixe é limitado geneticamente. Porque somos psicopatas sociais e algemas nos excitam a imaginação. Porque a corda roída nessa vida parece um elástico que afina quando estica. Porque é preciso puxar um cabo de guerra. Porque as palavras se perderam das coisas e tudo parece brincadeira. Porque não pensamos ser capazes. Porque não pensamos. Porque temos preguiça. Porque pensamos sempre nisso. Porque é preciso alguma estratégia e a facilidade da burrice é indescritível. Porque todos estamos, de um modo ou de outro, "evoluindo para o óbito", conforme atestam os eufemismos dos relatórios médicos. Porque o sarcasmo é maior que a gratidão e a ironia mais tolerável que o senso de humor. Porque o bom senso dá no que deu. Porque deram os sinais de sua irresponsabilidade ao nos colocarem neste mundo de sem-vergonhice. Porque não somos melhores que os piores dos assassinos, ainda que nos tenham criado por baixo das saias protetoras. Porque há silicone onde deveria haver sangue, há sangue onde deveria haver remédio e há remédio onde deveria haver solução. Porque nos empurram nas barrigas e nos lançam em competições. Porque não somos bons atletas remunerados. Porque não damos lucro. Porque somos cínicos. Porque somos coitados. Porque os modelos são menos libidinosos que as modelos. Porque a beleza pode estar escondida em todas as coisas, por feiosas que sejam, por serem de Deus. Porque há os que preferem a certeza do inferno na terra ao risco do Paraíso no céu. Porque desse trabalho todo a população já está bem cheia, ainda que possa estar procurando qualquer coisa pra fazer entre os contínuos desempregos. Porque o salário é desse tamanho. Porque a expectativa também. Porque a aposentadoria apresenta as melhores garantias. Porque a experiência não salva quem quer que seja. Porque a segurança de quem se salva continua sendo mínima. Por puro acaso. Por um detalhe. Uma mania. Porque as posições são mesquinhas e os conceitos são medíocres, mas, principalmente, porque a paz verdadeira há de custar mais caro do que esse chapéu passado entre uns poucos bem intencionados.

23 de jun. de 2008

sobre não ser vítima

ando saudosista, ando reflexiva, ando estranhamente feliz.
acho que agora, finalmente sei quem sou. e sei quem não quero ser mais.
sei que a vida, e o meu presente, são exclusivamente problema meu. e que ninguém pode me "fuder" mais que eu mesma.
sei tambem que mesmo de longe, estou perto de todos aqueles que amo. parece que há uma esfera superior que nos une, os amo cada dia mais.
sinto falta das pessoas de bh, não da cidade. não suporto aquela cidade.
sinto falta da fafá e do gu bones, e seus sarcasmos eternos.
sinto falta da carência da arthuzzi e seus carinhos. da voz histérica da zé.
do abraço do marquito. de dormir agarrada no doug. sinto falta das cervejas reveladoras na savassi com a fafá. sinto falta do bubu, que nem sei mais onde está. sinto falta dos palcos, sinto mta falta de estar a prova em cena todos os dias, puta exercício. me contento dando aulas, novo desafio. sofro, mas me divirto.
resolvi que quero parar de sofrer tanto por tão pouca coisa, é sempre assim. talvez tenha que ser menos dramática, talvez tenha que ser mais corajosa, talvez tenha que ser menos idealista. aliás, idealismos não combinam comigo, detesto frescura.
ando gostando de ocupar as mãos pra esvaziar a cabeça.
ando com vontade de fazer as pazes, renovar as amizades. ando louca pra viajar.
ando feliz em estar solteira, finalmente. acho que agora preciso me apaixonar por mim.

é, talvez seja só isso...

5 de jun. de 2008

da chegada do fim do mundo

acho que o mundo está acabando. ou talvez o homem esteja acabando.
falta pouco pra o dia em que a falta de paciência gere a falta de reprodução da raça humana.

os poucos bons, ou normais, razoáveis, são bombardeados e maltratados e mal-amados pelos medíocres. e o mundo está resumido a isso. ou menos.

falta amor no mundo. falta amor em mim. me falta paciência. me falta entendimento.

me faltam razões para acreditar que é possível.

11 de mai. de 2008

coisas importantes a saber sobre mim:

não gosto de dependência. não gosto de gente que não gosta de independência.
não gosto de convenções, fórmulas, hierarquias, horários, métodos, segregações.
não gosto de indiferença, tenho pavor de competições. queria que as pessoas precisassem querer menos. a gente seria feliz mais facilmente com menos querências.

não gosto de limitações, detesto que queiram resolver minha vida pra mim, acho difícil errar e difícil ser mandada. preciso aceitar que errar é parte do jogo. detesto jogos, detesto meias-palavras, detesto eufemismos. gosto das palavras bem ditas, mesmo que só estejam ali nas entrelinhas. por isso talvez é que ame poesia. os meus bons poetas são aqueles que sabem exatamente o que dizem por trás de belas palavras.

leio menos do que gostaria, me sinto mais desesperançada do que gostaria, tenho mais tempo livre do que gostaria. me sinto muito desentendida, acho que falta em muitas pessoas a "lubrificação intelectual" de ler as minhas entrelinhas, que estão aqui, expostas nos meus olhos, que não sabem fingir, nem esconder. nos meus olhos que pedem que me decifrem.

tenho um sorriso estampado no rosto, que nem sempre reflete o que se passa no meu coração, mas que ainda assim não deixa de estar ali, segurando meus olhos tristes. sonho com segurança, tranquilidade, paz de espírito. sonho em ter um dia um restaurante e filhos. na praia. e uma vida muito tranquila.

não tenho grandes ambições ideológicas e acadêmicas, queria muito ter dinheiro pra ter uma vida tranquila, só. sem precisar morrer pra isso e sem precisar ficar rica pra ser feliz. não quero ser estrela, não quero fazer novela, não quero ser famosa. não quero ser referência, objeto de estudo, não quero criar métodos e ser admirada por eles.

quero ser a boa mãe que é a minha mãe. no momento certo. aí sim quero ser referência.

atualmente só consigo acreditar no amor fraterno. e acho muito bom ter bons amigos e me sentir amada, e ainda melhor ter capacidade de dizer a eles o quanto os amo.

acho que as pessoas seriam mais felizes se conseguissem se libertar das tais convenções que tanto detesto. acho que todos são melhores quando tem conhecimento de si e são capazes de lidar com as proprias vontades. independente das consequencias, independente do que pensam os outros, independente do que dizem os bons modos.

tenho certeza que queria um ombro onde enconstar pra dormir essa noite. tenho certeza que é dificil pra mim permitir que alguém entre desse modo na minha vida.

tenho certeza que chorar pra mim é uma coisa fácil, mas nem sempre por motivos fáceis. chorar é mais fácil que me abrir. mas não é melhor. ficam umas gotas guardadas que só abraço de amigo consegue secar.

adoro ficar de pé no chão, adoro o vento que vem do mar, adoro ter liberdade com as pessoas que me são caras. adoro poder dizer "trepar" em vez de "transar" e "vai tomar no cú" em vez de "vai tomar banho" com a certeza de que não ofendo.

há alguns anos ando me abrindo de cascas que me prendiam em mim mesma. queria ser menos exigente. a cada casca que sai descubro o quanto sou rigorosa comigo mesma, e o quanto há de beleza de dentro de tanta insegurança e tanta cobrança e tanto medo de errar.

ando me sentindo um pouco velha. um pouco atrasada. e isso é pura burrice! é mais uma das minhas cobranças! pela primeira vez na vida não sou a filha perfeita, que cumpre horários, que consegue tudo que quer, e devia estar feliz por estar conseguindo me permitir de certa forma fazer a coisa errada. quero tempo pra pensar, pra escrever. pra me organizar pra mim mesma.

queria entender tudo que me dizem, queria que todo mundo entendesse as coisas que eu digo.

sou muito impaciente, muito mesmo. no transito então, por vezes tenho desejos assassinos. não tenho muita paciência com as pessoas. elas normalmente tem que me provar primeiro que a antipatia que criei por elas é inútil. acho dificil conversar com qualquer pessoa sobre qualquer coisa, apesar de muita gente me achar o proprio "confessionario" ambulante.

eu queria que as pessoas quisessem me ouvir mais do que me contar, ou do que me apontar soluções superficiais pras coisas que parecem obvias mas não são.

queria acreditar que um dia vou construir uma família. hoje em dia me pego completamente desacreditada desse tipo de amor. aliás, tenho como conceitos muito distintos esse tal amor do que se chama desejo. acho que antes do amor somos bichos, acho sim que a gente sabe pelo cheiro, antes de pela ideologia, o que é que nos atrai. acho que misturar as duas coisas a ponto de trata-las como a mesma só complica ainda mais o que separado já pode ser muito complicado. tambem acho que nada é só uma coisa ou outra, ninguém é isso ou aquilo, apenas está. e devia ser mais fácil pra todo mundo respeitar o "estar" de cada um.

quero crer que sou um ser extremamente protegido. me pego pensando qual foi a ultima vez que eu rezei e não consigo me lembrar. mas tenho certeza da minha propria fé. sei que nada é por acaso, sei que Deus está comigo, sei que sou a todo tempo guiada, cuidada, protegida, pra seguir pelos caminhos certos para os momentos certos e fazer as melhores escolhas a cada um desses momentos.

sou um tanto vaidosa dentro da minha displicência. mas sem perder a displicência jamais.
não penteio cabelo, nunca, só quando acabo de lavar. mas não tiro a mão dele o dia inteiro e não perco uma chance na frente do espelho. não me sinto eu mesma sem meu esmalte vermelho, mas basta a ansiedade passar por perto e destruo todas as unhas. amo um chinelo e um short, mas sei exatamente qual é a imagem que passo com isso.

ando muito triste, me sentindo muito sozinha, mas sei que eu sofro mais do que preciso geralmente e fico muito feliz quando alguma coisa me prova que estava enganada. já dizia um velho amigo que sou dramática de natureza. outro dirá, é escorpiana. e sou, de sangue quente. mas sou mesmo é uma menina, ingênua, que quer acreditar na bondade das pessoas e quer pouco pra si mesma. que quer o direito da tranquilidade. e do amor. que quer muito ser mãe um dia e acha que nasceu pra isso. que quer muito ser boa, e ser respeitada sendo boa, e não abusada. que quer muito que o mundo se liberte das amarras que causam hoje o preconceito, a violência, o desamor, as tantas mágoas, as tantas mortes, as tantas mães sem filhos, as tantas dependências.

eu sou só uma menina que quis crescer antes do tempo e agora quer ser menina de novo.

carta a frederico - ode ao desasossego!

por mais que nem sempre eu entenda, é bom saber que eu sou entendida.

mas dá um aperto, um desasossego, que fica martelando sempre que alguém ousa me decifrar tão bem: porque me expreme e não me conforta?

tudo que eu quero é conforto, sossego, tranquilidade. pra sempre. tudo que eu quero é acalmar o que me tira do eixo todos os dias.

e de repente, sem que eu tenha escolha, passa um furacão que me pede respostas às minhas próprias perguntas... não sei se respondo por elas, ou por ele. não sei se entendo o pedido. não sei se é pra ser entendido.

sei que confio, sei que confundo. sei que no fundo somos farinha do mesmo saco. sei que por mais que tudo pareça passo em falso, e por mais que passo em falso pra mim seja estranho, quero mais é que você não tema dizer o que pensa, mesmo que imagine que possa me fazer mal. faz bem. me faz ver que eu sou menos só no mundo do que pareço ser.

13 de abr. de 2008

"Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como
sempre serei. E penso se a minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não encarna a
substância de milhares de vozes, a fome de dizerem-se de milhares de vidas, a paciência de
milhões de almas submissas como a minha ao destino quotidiano, ao sonho inútil, à esperança
sem vestígios. Nestes momentos meu coração pulsa mais alto por minha consciência dele. Vivo
mais porque vivo maior."

In: O livro do desassossego - Fernando Pessoa

29 de fev. de 2008

da forçosa necessidade de aprender...

estou aprendendo a ser só. completamente.

sem aquela falsa esperança de que algum dia as pessoas se dediquem a mim como eu me dedico (ou dediquei) a elas.

estou entendendo que eu devo ser mesmo uma excessão nesse mundo e o que o mais comum é não se preocupar. os outros são os outros, e eles que se fodam. assim parece pensar "o mundo".

e eu me fodo... o máximo que escuto, como consolo para não terem que me escutar, é que eu "sou forte". forte o c-a-r-á-l-e-o!

eu sou fraca, sentimental, completamente chorona... eu fico triste. muito. as vezes por muito tempo.

eu estou cansada de me decepcionar.

eu estou cansada de me calar.

eu estou cansada de gente que acha que sabe de mim e não sabe. que acha que "o mundo" é muy amigo e que se importa com as pessoas erradas.

por outro lado, estou aprendendo. aprendendo a ser só, aprendendo que é melhor sofrer mesmo calada. aprendendo que não vale muito a pena se esforçar muito por gente que, lá no fundo, só quer saber de você quando precisa de você. quando não precisa, fica com "o mundo" muy amigo e yo fico em casa, sozinha, sábados a noite a fio...

estou aprendendo que muita gente quer mesmo é conseguir o que você conseguiu, de preferência melhor. aprendendo que o mundo gira é pra se ganhar. é este o verbo da vez.

estou aprendendo que mãe tem um valor 500 vezes maior do que os mais entusiasmados poderiam calcular. e que amor de mãe é maior que qualquer outra coisa nesse mundo. e que mesmo com tudo isso as vezes a gente pensa em fugir...

por outro lado, voltando aos "amigos", também aprendo, forçosamente, que amor continua ali mesmo com meses de distância sem sequer um telefonema. e que talvez eu seja carente, de alguma forma...

estou aprendendo que preciso ser mais feliz. preciso precisar de mais coisas para ser feliz. senão qualquer dia me enfio num casulo e de lá não ouvirei os telefonemas...

estou aprendendo pela milésima vez que tenho bastante dificuldade de falar de sentimento. que queria ser clara. que queria querer com todas as letras e não ficar só sugerindo... confundindo... ou as vezes até fingindo e tentando não sentir.

estou aprendendo, que nesse mundo, talvez seja mais sadio não se envolver com tanta profundidade. em nada. ou pelo menos diminuir bastante o cartel dos grandes envolvimentos.... reduzir os amigos aos dedos de uma mão... pode ser uma boa meta. os grandes amores da minha vida que ficarão pra posteridade na outra mão... (talvez deva começar a economizá-los).


... ou ainda talvez, deva começar a ter um grande amor da minha vida por mês... não, essa não sou eu.

amo muito, muitas pessoas. mas aprendi que decepções me cansam.

quero poucos amigos, poucos cds... casa, tranquilidade... um dinheiro confortável... uma boa companhia.. uma praia na janela. quero um restaurante, só meu. pra cozinhar diariamente com amor para todas as pessoas que levarem meu coração à boca.

17 de fev. de 2008

da necessidade de acreditar

eu ainda quero crer que o mundo é esse com o qual sonho.
ainda quero crer que esse mundo existe. que existem pessoas como eu.
ainda quero crer quando se fala em sinceridade. ainda quero crer na palavra das pessoas. ainda quero crer na palavra amor, sem precisar ser piegas. ainda quero crer que existem pessoas que dizem o que sentem e que fazem o que prometem. ainda quero crer na verdade. na sinceridade. na calma, na paz, na felicidade.


ainda quero crer que não preciso ter raiva.

14 de fev. de 2008

da necessidade de dizer que é bom ser ouvida.

algumas coisas acontecem sem que você peça. aparecem, do nada, de onde você menos poderia esperar. de onde você sequer cogitasse imaginar. e chegam com um sorriso. leves como uma boa canção. leves como uma voz suave em um sambinha maneiro.

aparecem na vida, nas horas mais exatas, pessoas que te levam a ver coisas que estavam na sua cara. coisas que você precisava enxergar em si pelos olhos dos outros.

você precisava daquele brilho nos olhos do outro pra se ver, refletida. se enxergar sem a nuvem da ignorância alheia.

29 de jan. de 2008

há momentos em que espera-se que você tenha algo a dizer.
que você sinta algo específico.
que busque certa resposta. certa pessoa. certa decisão.
há momentos em que te pedem certa solução. e não há o que fazer.
te pedem certa reação, e não há o que sentir.
te pedem perdão, e não há mudança.
te pedem solução, e não há.
há um vazio, uma enorme vontade, vaidade, piedade.

piedade.

há vontade.

20 de dez. de 2007

eu queria ao menos saber porque.

queria ao menos que você soubesse que me mata.
milímetro por milímetro.
não como você planejou matar. é a sua fraqueza que me mata.

nada altera o que eu sinto, nem consigo ter raiva.
só tenho raiva de mim, por ter acreditado.

eu acreditei em uma mentira ou em uma verdade?
sabe que ainda acho que em uma verdade, embora agora tudo pareça falso...

eu queria a mesma coragem que tive de você. queria que dissesse tudo, na minha cara.
sei que ainda falta. não consigo acreditar sem motivo. e ainda acho que o motivo é a fraqueza.

se for isso é mais triste do que parece... uma pena!

5 de dez. de 2007

do mundo que eu queria pra mim (ou: alguma coisa está fora da ordem)

eu queria um mundo em que não existisse uma opinião única a respeito de nada. um mundo em que não houvesse totalidade - lê-se totalitários. queria um mundo em que jamais tentassem me vender vestidos com 4x o valor do salário de um pai de família. muito menos que existissem vestidos com 20, 30x o valor do salário de um pai de família. queria também que nesse mundo nenhuma mãe visse seu filho com fome, nenhuma criança crescesse sem estórias pra dormir, nenhuma mãe sem vocação tivesse filhos.
queria um mundo em não fosse preciso viver se privando de alguma coisa pra se encaixar em padrões. queria que amor fosse suficiente para mudar o mundo. queria um mundo onde ninguém tivesse medo de amar.
queria um mundo que realmente tratasse a todos do mesmo modo. um mundo em que as mulheres fossem respeitadas como deveriam.
queria não ter saudades, queria ser menos ansiosa, queria não precisar tanto de dinheiro.
queria que ninguém chegasse à velhice sem o direito da casa própria. queria não ter que ver crianças trabalhando em sinais de trânsito. queria que meu país tivesse governantes decentes.
queria não ter que chorar vendo recém-nascidos jogados em latas de lixo.
queria saber hoje onde vou morar daqui há pouco tempo. queria saber o que vai ser da minha vida pra sempre. queria um mundo em que os sentimentos de uns não se ferissem para o contentamento de outros.

16 de nov. de 2007

do gosto de escrever para ninguém

há um gosto esquisito, mas delicioso, em escrever coisas que ninguém lê - ainda que públicas.
não que eu as escreva para os outros, não que eu pretenda difundir as difusões dos meus pensamentos conflituosos e divertidos.

é como provar coisa errada pela primeira vez.

é um dos gostos desses gostosos de desafio, de auto-exposição, de botar o próprio bloco na rua com o "foda-se" no automático. gosto de mandar mauricinho roda-dura metido a gostoso no trânsito pra "puta que o pariu", mesmo que isso custe um medo enorme. gosto de primeiro beijo que você espera que seja eterno, mas morre de medo que não encaixe.

é quase um vouyerismo às avessas. é gosto do risco de por na tela de quem-quer-que-seja o que você pensa da vida, o que sente, o que gostaria de sentir... gostaria que me sobrasse inspiração para escrever pra ninguém, sempre.

11 de nov. de 2007

SAI DE MIIIIIIM, URUCA!

17 de out. de 2007

E tudo mudou...

O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss
O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone
A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM
Confete virou MM
A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse
Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal
Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service
A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão
O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD
A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email
O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo
O break virou street
O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também
O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bike
Polícia e ladrão virou counter strike
Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato
Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...
A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!
A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz........
De tudo.
Inclusive de notar essas diferenças.

Luiz Fernando Veríssimo (dizem que é Veríssimo, se não for, mil perdões)

1 de out. de 2007

Shut your eyes (Shout out Louds)

Say yes
Don’t say no
‘Cause I’m ready now
And I want to go
But if I cry cry cry,
I won’t
So I die die die,
I won’t
I want to know
Please say it isn’t so

It’s now
And we’re too late
There’s no time for a debate
But if you swear you’ll never leave
I promise you I will be
The one who stays there all along

So shut shut shut your eyes
It sounds so good right now
And it came as a big surprise

Stay true
And don’t give up
We’re only started now so please stay up
But if I’ll shout shout shout my name
You will always remember my name
I want to know
Please say it is so

So shut shut shut your eyes
It sounds so good right now
And it came as a big surprise


(SIM, É A MUSICA DO COMERCIAL DO FIAT PUNTO QUE VC NÃO PARA DE CANTAROLAR PELA CASA E TÁ LOUCO PRA SABER O RESTO)

28 de set. de 2007

A DIFERENÇA ENTRE PAI E MÃE

uma menina pequena passeava com sua mãe quando levou a mão à algo que estava no chão e pôs na boca. a mãe a alertou que não deveria fazer isto, pois tudo o que está no chão fica cheio de micróbrios e faz mal. a menina admirada perguntou porque a mãe sabia de tudo. a mãe respondeu que é preciso passar num teste para ser mãe, que depois que ela aprendesse todas essas coisas também poderia ser mãe se passasse no teste.
intrigada com a resposta, a menina continuou andando mas pensativa. de repente uma luz se acendeu: ahhhh mamãe, eu entendi. então se não passar no teste vira pai?
[autor desconhecido]

hahahahahaha! adorei...

27 de set. de 2007

eu queria alento - ninguém me deu.

nem quem não tinha direito de me recusar alento.
nem quem eu mais queria que me desse.
nem quem perguntou se eu estava bem e eu não tava.

eu queria alento - ninguém tentou.

12 de set. de 2007

entalada de pizza sabor senado

e mais uma vez nosso país é coberto de molho de tomate e mussarela.

acho que se eu morasse em brasília ou se não tivesse com a barriga costurada ia querer quebrar aquele congresso essa noite. isso é vandalismo, não. não sou como eles.

dá desgosto viver num lugar em que uma mãe é presa por roubar uma manteiga pra alimentar o filho porque não chega até ela assistência do governo e um bando de ladrões fica lá, deliberando sobre o nosso futuro e se auto-protegendo como se fossem celebridades na mira dos paparazzi. jornalista político não é paparazzi... sessão de cassação de presidente do senado devia ter as portas do congresso abertas não só pros jornalistas como pra qualquer cidadão comum que quisesse se expressar.
e o canalha ainda declara que o dia de hoje foi uma "vitoria da democracia"... vontade de enfiar a mão na cara de um sujeito desses... não honra as proprias calças, que abaixa pra qualquer vagabunda, muito menos a própria esposa, detentora do troféu de corna.

cornos tbm somos nós... traídos pelos nossos poucos votos conscientes, reforçados com os votos inconscientes dos outros... de mãos atadas pra tirar de dentro do congresso um ladrão, apoiado por outros 40...

aprendi ainda pequena aquela letra que dizia que "luiz inácio avisou..."
luiz inácio se absteve, está na europa divulgando o etanol... que amanhã não será capa de nenhum jornal europeu... mas o vexame que toma conta do nosso congresso federal com certeza amanhã será motivo de chacota do presidente semi-analfabeto que com tantos anos de governo ainda se orgulha de não falar a lingua dos gringos... junto com ele, nosso país vai pro ralo, nosso governo acaba em pizza...

... e os "40 picaretas com anel de doutor" estão brindando a nossa desgraça.

4 de set. de 2007

eu:

cortada e costurada,
picada e repicada,
acesa e apagada.

eu:

apagada e acesa,
viva e morta,
velha e nova.

tudo novo,
tudo claro,
tudo completamente obscuro.

eu:
forte e fraca,
desfeita e refeita,
EU DEPENDENTE.

susto, enfim. passou. fim. ufa!

25 de ago. de 2007

choro

por lucinda e por clarice,
por cecilia e por elis e por cora.

por lili, eliane, elisabeth.
por mim e por nós e por elas.

por henrique, hector, marco elisio; arreios.

por todo o amor que ainda sentirei.

Pode café

Ela pede

Ela cora

Ela quer

Coar café na mira

de minhas elegantes meninas

E correr pela ladeira ume-descida

Calcinha coador pela manhã

Ela cede

Ela chora

Ela até

canta um sangrado tango

e me diz: Não me zango

em abrir geladeiras

Quando o que faz é o que quer

Ela mede

Ela mora

Se ela der

um grito no espaçoda cozinha

É que ela quer ser minha

e fugir

Se cair em desmaio

na sala

quer voltar pra senzala

E dançando um xote

apanhar com meu chicote

Mil lambidas

Mil lambadas

Ela em pele

Ela agora

Ela aqui

Me engole o ferrão do corpo

E sai zombando de mim

[Elisa Lucinda]

24 de ago. de 2007

Serenata

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.

Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.

Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo

16 de ago. de 2007

Poema do Amor Perfeito

Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.

Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.

Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se aleita,
entre pálpebras de areia...

Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.

-Cecília Meireles-

9 de ago. de 2007

com acúcar e afeto,
faço doce predileto,
faço rima cristalina,
até falo dialeto.

faço rima,
crio clima,
peço cama,
vou por cima.

faço planos,
guardo fundos,
choro rios.

tenho baldes de esperança acumulados no jardim dos sonhos.

será que é assim que a gente aprende o que ninguém pode ensinar?

29 de jul. de 2007



Dos peitos e da serenidade da Vênus de Milos.

Já disse um dia que os queria. E ainda quero. Embora nada tenha mudado muito radicalmente ainda, sinto-me cada dia mais serena com uma certeza do que ainda não mudou.

Aí estou, a própria. De braços cortados pra mudar o presente, mas com a felicidade do futuro que está por vir estampada no rosto e a segurança do peito aberto pra lutar por esse futuro.

23 de jul. de 2007

da dor de crescer - só.

a cada dia as minhas certezas só aumentam.

por um lado, descubro que o mundo precisa saber o que eu quero, senão nada se concretiza. na verdade quem precisa saber sou eu, bater pé, por firmeza nos meus próprios desejos.

por outro, vem junto a certeza de que crescer é um processo completamente solitário. as nossas escolhas vão se conformando e tomando força e dominando a nossa vida sem que ninguém saiba direito do que passa dentro da gente. ninguém se preocupa realmente, embora muitos perguntem, especulem, dos assuntos mais cotidianos.

a dor de crescer só está me fazendo bem. sem palpites o prumo está ali, no alcance dos meus olhos. mas falta colo, falta abrigo, faltam as opiniões com que estou acostumada.

9 de jul. de 2007

sim, você entendeu...

e a menina-moça-mulher entendeu que a vida não é filme embora seu mundo ainda assim tenha momentos amelié.

e descobriu que a resposta era aquela mesma, mas que a certeza é coisa concreta demais, que só o tempo traz e que ela vai lá longe buscar.

mas que mesmo sem certeza, com conversa a resposta é resposta. até porque essa resposta é de dois, embora o um já admita mais certeza que o outro.

e entendeu que a vida é assim mesmo e que só o tempo põe as coisas no eixo, embora ela quisesse adiantar a vida em 6 meses, entenda-se, um semestre. semestre que vai doer, tempo que vai brotar, sentimento que já está e há de se fortificar.

a vida é assim mesmo e a graça é essa. a menina que aprendeu a amar aprendeu junto a entender, a esperar, a acreditar. e a duvidar na necessidade da certeza.

30 de jun. de 2007

conto-de-fadas ao avesso!

Depois de tanto se precaver,
de tanto insistir,
de tanto repetir que não entrava mais em roubadas...

Depois de tanto se declarar desiludida convicta...
Depois de tanto pensar, pensar, pensar, e perder oportunidades de puro medo de tentar...









... a menina (tola) resolve acreditar.






E planeja, e sonha, e economiza, e reserva, e se envolve.






E concretiza.




E volta, e chora, e sente falta.





Estava quase formado o conto-de-fadas que faria a menina acreditar que perdeu seus dias pensando demais e não se permitindo. Só faltava o tempo, e a resposta, e a certeza do lado de lá...


... que não veio.


FIM.

12 de mai. de 2007

saudades de escrever aqui.
não sei se é a vida que não me deixa tempo ou não me deixa tema.
o fato é que estou ficando prática.

e reclamar não cabe mais,
poesiar não anda dando tempo,
e escrever qualquer coisa não me apetece.

estou escrevendo na vida... com poesia.
apagando da lista os lamentos, incrementando os incrementos.

quero mais é pintar e bordar! rsrsrs

21 de abr. de 2007

quero os peitos e a serenidade da Vênus de Milos.
quero os peitos e a serenidade da Vênus de Milos.

4 de abr. de 2007

do dia em que eu vi a lua

até me acostumar com uma vida sem serra, quintal e calçada, vizinho e troca de receita, via nos letreiros luminosos da nova vida a saudade que tinha da lua cheia na minha janela. a nova janela me mostra outras cem janelas, e provavelmente delas estão outros 100, 96, 34, não sei... outros tantos... todos sentindo falta de luar.

mas surpresas nos cercam pra não fazer a vida parar. e lá estava ela outro dia, linda...
ofuscando os faróis, os sinais, as buzinas, a sujeira do vidro do ônibus...

lá estava ela pra me lembrar que ser feliz é ser assim: imponente, bonita, simples e ofuscante...
oscilante porque é necessário... mas sempre de uma beleza imcomparável.

23 de mar. de 2007

da necessidade de ser...

como é bom ter coragem, ter segurança, ter força...

a vida desliza e o eterno sofrimento desnecessário some....

17 de mar. de 2007

das formas de amor

tenho de todas um pouco em mim. a que mais falta é só uma em mil, mas é a que dói mais latente.

"quem de dentro de si não sai vai morrer sem amar ninguém
capoeira que é bom não cai, e se um dia ele cai, cai bem..."

12 de mar. de 2007

pra completar caio fernando...

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

(Cecília Meireles)

11 de mar. de 2007

"o amor também é uma espécie de morte ( a morte da solidão, a morte do ego trancado, indivisível, furiosa e egoisticamente incomunicável). O acontecer do amor e da morte desmascaram nossa patética fragilidade"

caio fernando abreu

10 de mar. de 2007

da necessidade do grande dia

como a menor das flores me sinto: tentando criar forças para me colorir, tentando ajudar a vida a ser primavera, tentando achar caminho entre as maiores para receber um pouco do calor do sol.
como a mais nova estrela: ofuscada pela luz da geração anterior, e ao mesmo tempo me esforçando para apurar na experiência delas oportunidades de melhora para as minhas experiências próprias.
como o menor frasco: precioso e raro.
e cheio de m a r a v i l h a s.
capaz de guardar o melhor segredo e aquele cheiro de vida nova, tão doce e tão especial.
das pequenas coisas vêm as mudanças. das pequenas lutas, vêm as vitórias.
dos grandes fracassos tiro forças para o grande dia:
o dia em que encararei o mundo de ombros altos e peito aberto,
de coração pronto pra amar, de alma lavada;
o dia em que a minha crença em mim mesma será maior que a crença dos outros.

8 de mar. de 2007

da necessidade de regugitar

estou numa fase de expulsão, é fato: jamais expulsei ou expulsarei pessoas; mas sentimentos, angústias, mal-amados e arrogantes, coisas mal-resolvidas, mal-quistas, estão todas sendo constantemente vomitadas. só sobrará em mim o bem, o amor, os bons e verdadeiros amigos. sobrarão flores, e coragem, e canções. enredos, e sonhos, e sucessos. faltarão e serão sempre vomitados os temores, as inseguranças, todos os sapos antes engolidos.
sapos e sapas, saiam mesmo da minha vida. eu serei feliz. se vocês não podem ser e querem se entalar em minha garganta e fechar portas na minha cara, não os quero mais na minha vida, na minha casa, no meu mundo.

27 de fev. de 2007

"Como as abelhas estão preguiçosas sôbre as flôres e os raios do sol indolentes sôbre o chão! Grassa uma ociosidade medonha. A ociosidade é o início de todos os males. O que as pessoas fazem por causa do tédio! Estudam pelo tédio rezam pelo tédio, apaixonam-se, casam-se, multiplicam-se pelo tédio e finalmente morrem de tédio e—aí está a graça— tudo isso com os rostos mais compenetrados, sem saber porquê e pensando que Deus sabe. Todos êsses heróis, êsses gênios, êsses tolos, êsses santos, êsses pecadores, êsses pais de família, no fundo nada mais são do que refinados ociosos."
[Leonce e Lena - Georg Büchner]

24 de fev. de 2007

de quando a "carapuça serve"...

"nos filmes sempre existe uma moçinha e a melhor amiga. você tem um potencial incrível para ser a protagonista, mas inexplicavelmente não deixa de se comportar como a melhor amiga."



SOCO NO ESTÔMAGO!

22 de fev. de 2007

A Bru e o Vagalume

Madrugada a fora, filme velho na tv, cansada do pc, vejo a luz mais querida que conheço: a mágica e doce luz do vagalume. Tudo lindo... abri a janela pro bichinho se sentir a vontade, deixei ele lá piscando, e continuei no filme velho. Não sei se foi o filme, ou fui eu, ou só foi mesmo a luz da TV, mas o bichinho se apaixonou.

E eu descobri que vagalumes fazer barulho.

E seria aquele o começo de uma semi-insônia: o bicho não saía, não parava de voar pelo quarto, não parava de me rodear. E a visita antes considerada um presente foi se tornando uma tormenta. E não adiantou vassoura atrás da porta, compromisso inadiável ou qualquer coisa do gênero: visita quando resolve ficar, não tem macumba que tire.

E foi assim o resto do quase conto-de-fadas... Eu tentando "pô-lo ele" pra fora e ele tentando me tirar o sono... Será que tinha um segredo pra mim??? Matei o segredo com restos de luz que em segundos se apagaram. Não sei se sofria ou me aliviava...

21 de fev. de 2007

O menor conto de fadas do mundo

Era uma vez um rapaz que pediu a uma linda garota:

- Você quer se casar comigo?

Ela respondeu:
- NÃO!

E o rapaz viveu feliz para sempre, foi pescar, jogou futebol, conheceu muitas outras garotas, visitou muitos lugares, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava grana, bebia cerveja com os amigos sempre que estava com vontade e ninguém mandava nele.

A moça teve celulite, varizes , os peitos caíram e ficou sozinha para sempre.

FIM.


Triste, machista, mas divertido.. achei isso por aí na internet, não resisti.
As vezes faz sentido arriscar, ne? Serve pra pensar...

12 de fev. de 2007

da necessidade da certeza

conviver com incertezas é uma dificuldade muito grande pra mim.
eu sempre quero tudo certo, combinado, resolvido, lavrado em cartório.
dúvida, incerteza, indecisão: todas me paralizam.
eu não me dou bem mesmo com nada mal resolvido.
e mesmo assim sou a pessoa mais indecisa desse mundo!

to beeeem, viu...

10 de fev. de 2007

da necessidade da TPM

pelos menos tem um lado bom, já que é só ela que me faz:

- me permitir ficar descabelada
- chorar sem motivo
- me achar a pior pessoa do mundo
- escrever post inuteis
- não fazer completamente nada o dia todo
- ver filme bobo
- ficar em casa sábado a noite sem sofrimento
- assumir algumas das minhas taras


PODEROSA A BICHINHA, NÃO?

9 de fev. de 2007

aham, eu sou babona.


dois dos grandes amores da minha vida!

8 de fev. de 2007

Eu não quero aquele, eu não quero aquilo.
Peixe na boca do crocodilo.
Braço da vênus de milo acenando tchau.

Quero a Guanabara, quero o Rio Nilo.
Quero tudo ter, estrela, flor, estilo.
Tua língua em meu mamilo, água e sal.

2 de fev. de 2007



A Fafá me escuta e me entende.

A Fafá me briga e me ama.

A Fafá me faz ter coragem e é medrosa.

A Fafá me desprotege e me faz crescer.

A Fafá me convence de qualquer programa de índio pra gente ter um tempinho juntas.

A Fafá sempre jura que é a última cervejinha, e é uma das culpadas da minha butequisse assumida.

A Fafá reclama que eu reclamo demais e tem toda razão.

SAUDADE DA MINHA NEGA!

A FAFÁ É UMA DAS MINHAS ALMAS-GÊMEAS...

31 de jan. de 2007

Não quero mais palpites, nem pitacos, nem ouvidos atrás da porta.
Não quero mais ordens, nem vigilâncias, nem gente que me diga o que fazer.

Deixa, eu faço.
E agora farei sim, do meu jeito.



I dont post to make your life funnier.

29 de jan. de 2007

eu preciso de alguém

não me trate com desdém, eu sou cheio de nhém-nhém-nhém...

POEMA DA NECESSIDADE

É preciso casar João,
é preciso suportar, Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO.

Carlos Drummond de Andrade

24 de jan. de 2007

da necessidade da auto-definição

eu sou um ser que não sabe o que é.

22 de jan. de 2007

da necessidade de pensar no futuro

eu queria não ter que pensar. rsrsrs


EU PENSO DEMAAAIS!

21 de jan. de 2007

da necessidade de agradecer amizades sinceras.







aqui estão alguns dos especiais. os outros jamais devem se sentir excluidos.
foi só uma seleção e uma forma de agradecer.
EU AMO TODOS VOCES!













18 de jan. de 2007

amigo é amigo, filho da puta é filho da puta.

estou definitivamente cansada desse povo de teatro.
a1: nessa última volta deu caimbra...
a2: tbm to cansada...
p: chega em casa e come uma banana!
a1: to entrando mesmo na banana, todo dia...
p: falar em entrando na banana, voces tão namorando????


rsrsrsrsrsrsrsrsrs
quase tenho um ataque de tanto rir!

15 de jan. de 2007

eu não sou cristão
eu não sou ateu
não sou japa não sou ticano não sou europeu
eu não sou negão eu não sou judeu
não sou do samba nem sou do rock
minha tribo sou eu

eu não sou playboy eu não sou plebeu
não sou hip hight skin head nazi farizeu
a terra se move falou Galileu
não sou maluco nem sou careta
minha tribo sou eu

ai ai ai ai ai
ié ié ié ié ié
pobre de quem não é cacique
nem nunca vai ser pajé

12 de jan. de 2007

i have no dream

i dont feel im smart,
i dont feel im safe,
i dont feel im cute,
i dont feel im secure.

i dont feel im beautiful, or sexy, or lovable.

i dont feel im happy,
i dont feel im realized,
i dont feel im sure.

the only thing i do feel: lost.

8 de jan. de 2007

— E você, por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)

— Ah. Porque eu sou tímida.

(Rita Apoena)

6 de jan. de 2007

2 de jan. de 2007

Três Coisas (Fernando Sabino)

De tudo ficam três coisas:
a certeza de que estamos sempre a começar,
a certeza de que é preciso continuar,
a certeza de que seremos interrompidos
antes de terminar.

Portanto, devemos:
fazer da interrupção um caminho novo,
da queda, um passo de dança,
do medo, uma escalada,
do sonho, uma ponte,
da procura, um encontro.

ano novo, estômago novo.

essa noite pus pra fora todo o 2006 que habitava em mim. simbólica e praticamente. aff...

1 de jan. de 2007

Da necessidade de dados e convenções (ou: primeiro dia do velho esquema novo)

Eita... ano novo!

Finalmente, eu diria. Esse ano que foi, só foi porque a barriga empurrou.

Será que a vida nova chega com o primeiro de janeiro? aff... conjecturas sobre as convenções dos humanos carentes de dados...

Eu sou uma humaninha que não gosta dos dados. Gosto mais das pessoas e das coisas gostosas e de cantar e de rir e de jogar sinuca no primeiro dia do ano. De algumas pessoas, isso é fato. Jamais de todas. Não sou boa assim...

O que será que muda??? Será que o tal Júpiter dá conta de mim???

30 de dez. de 2006

queria ter tanto, tanto, tanto o que dizer... até me sentir vazia de pensamento.

porque vazia de todo o resto sou cada dia mais...
e me sobra uma cabeça que pensa 86.400 segundos por dia maquiavelicamente.

Je suis...

pedaços e fotos e silêncios e muitas viagens pra dentro.
histórias fantásticas fundidas a uma necessidade de ser realista.

fotos e pedaços e barulhos e canções e muitas viagens pro mundo dos outros.
interferências constantes no trivial porque não sei ser outra além de assim.

a little bit amelié poulain! always trying to love more...

29 de dez. de 2006

da necessidade da fé.

hoje Deus me deu a maior das provas de que ele existe e é maior que todas as outras coisas.
sou toda oração e louvor. sou toda agradecimento.

a família é Deus. a família é oração.

(e por mais brega que eu possa parecer estar sendo, tudo isso faz todo o sentido do mundo.

24 de dez. de 2006

sobre o calor

e se eu derreto e meus sonhos perdem a cor?

22 de dez. de 2006


família ê, família, ô.. família-ia-ia-ia!


tava com saudade!

18 de dez. de 2006

estou me sentindo um ser sem esperança. e isso é definitivamente muito triste.
desilusão, desilusão.
danço eu, dança você,
na dança da solidão.


onde será que isso para? será que para?

15 de dez. de 2006

perdi.

e agora sou medo, lamento, oração.
sou saudade, sou menos, incerteza.

a morte bate na porta pra te dizer que seus amigos valem muito.

vai com deus, claudinho. estamos aqui, com você.

8 de dez. de 2006

O sexygenário

Chico Buarque de Hollanda é definitivamente o homem da minha vida.

do medo de perder

Ter um amigo em coma é uma experiência nova na minha vida. E dói.
Fico aqui, pedindo a Deus alento à família, à namorada, aos amigos, a ele. E a mim.
É medo de perder, medo de "e se fosse comigo", medo de estrada, de carro.
É medo até de ser mãe e ter que se ver à beira de um quarto de hospital.

Deus cuide e faça o que for melhor.

E eu, penso...