Quarta-feira, Julho 08, 2009

Porque Matamos Nossos Pais (Fernando Bonassi)

Porque a velocidade tende a abalar o equilíbrio dos tempos. Porque o espaço não se comporta como antigamente e foi cercado de interesses. Porque os interesses são maiores que a satisfação e a satisfação nos mete medo. Porque a exaltação do medo é igualmente erótica. Porque a energia é magnética e os opostos se retraem. Porque há mais oposição na igualdade do que sonham nossas consciências pesadas. Porque ninguém tem culpa. Porque nos enchem o saco. Porque nos deixam levar. Porque perdemos o rumo e, quando vamos perguntar, vossa ignorância nos assusta. Porque os jogos não domam nossos impulsos. Porque não sabemos o que fazer de nossa sofreguidão. Porque as pistas estão desencontradas, os marcos foram embaralhados e as lições não fazem sentido. Porque aprendemos o que não nos serve. Porque aquilo que nos serve não pode ser aprendido nos seios maternos. Porque há um incômodo moderno nas boas causas de família. Porque a família se reúne mas não se encontra. Porque os encontros são furtivos e recheados de gagueira ou porrada, quando não os dois. Porque a inocência está acabando. Porque a violência é um princípio. Porque é preciso crescer. Porque é preciso vencer. Porque é essa a pior herança com a qual temos que nos haver. Porque o preço da vitória pode ser alto demais. Porque haverão de nos incomodar menos. Porque a renda é mal distribuída e as gerações são mal-acostumadas. Porque o conforto e a serenidade suspeita de alguns é proporcional ao sofrimento dos muitos outros intranquilos. Porque é preciso enfrentar os mistérios do mercado e conhecer os valores das bolsas escondidas. Porque os armários fervem de contratos e as apólices dormem apetitosas nas gavetas. Porque as armas dos crimes se expõem desavergonhadas nas paredes. Porque Deus prefere ensinar a pescar por linhas tortas a nos entregar desde logo o peixe da razão. Porque a razão pode ser um mistério doloroso. Porque há prazer nisso tudo. Porque o prazer se tornou incomunicável. Porque os cientistas deram pra multiplicar as explicações. Porque a natureza está sem jeito, tornando as previsões imprevisíveis. Porque o descontrole contagia os púberes e seus púbis. Porque as drogas permitidas nos viciam de idéias. Porque podemos dançar a qualquer momento. Porque a História é essa mesma e deu pra repetir-se coberta de floreios. Porque nunca foi tão difícil saber pra que lado atirar... Porque somos vaidosos. Porque temos espinhas. Porque devemos superá-los, porque queremos escondê-los. Porque somos egoístas. Porque o estigma também nos qualifica entre mortos e feridos. Porque as soluções justas são postergadas. Porque o julgamento é lerdo e a pena é curta. Porque os corpos de delito culpam a burocracia das instituições e as instituições se defendem com salários extorsivos. Porque os diplomatas e os generais costumavam estar protegidos das bombas. Porque temos pressa. Porque temos asco. Porque é uma prova de amor terrível. Porque o amor e a desconfiança estimulam-se reciprocamente. Porque os heróis são amestrados e os vilões são instruídos. Porque os lares foram destruídos e os laços foram apertados nos pescoços dos mais fracos. Porque precisamos dar um livro, uma reportagem, uma novelinha que seja, se não pudermos mais plantar qualquer esperança numa árvore. Porque estamos cansados de esperar a esperança fincar nossas raízes e morrer por último. Porque somos calculistas e a indenização não é lá essas coisas. Porque o filho do peixe é limitado geneticamente. Porque somos psicopatas sociais e algemas nos excitam a imaginação. Porque a corda roída nessa vida parece um elástico que afina quando estica. Porque é preciso puxar um cabo de guerra. Porque as palavras se perderam das coisas e tudo parece brincadeira. Porque não pensamos ser capazes. Porque não pensamos. Porque temos preguiça. Porque pensamos sempre nisso. Porque é preciso alguma estratégia e a facilidade da burrice é indescritível. Porque todos estamos, de um modo ou de outro, "evoluindo para o óbito", conforme atestam os eufemismos dos relatórios médicos. Porque o sarcasmo é maior que a gratidão e a ironia mais tolerável que o senso de humor. Porque o bom senso dá no que deu. Porque deram os sinais de sua irresponsabilidade ao nos colocarem neste mundo de sem-vergonhice. Porque não somos melhores que os piores dos assassinos, ainda que nos tenham criado por baixo das saias protetoras. Porque há silicone onde deveria haver sangue, há sangue onde deveria haver remédio e há remédio onde deveria haver solução. Porque nos empurram nas barrigas e nos lançam em competições. Porque não somos bons atletas remunerados. Porque não damos lucro. Porque somos cínicos. Porque somos coitados. Porque os modelos são menos libidinosos que as modelos. Porque a beleza pode estar escondida em todas as coisas, por feiosas que sejam, por serem de Deus. Porque há os que preferem a certeza do inferno na terra ao risco do Paraíso no céu. Porque desse trabalho todo a população já está bem cheia, ainda que possa estar procurando qualquer coisa pra fazer entre os contínuos desempregos. Porque o salário é desse tamanho. Porque a expectativa também. Porque a aposentadoria apresenta as melhores garantias. Porque a experiência não salva quem quer que seja. Porque a segurança de quem se salva continua sendo mínima. Por puro acaso. Por um detalhe. Uma mania. Porque as posições são mesquinhas e os conceitos são medíocres, mas, principalmente, porque a paz verdadeira há de custar mais caro do que esse chapéu passado entre uns poucos bem intencionados.

Segunda-feira, Junho 23, 2008

sobre não ser vítima

ando saudosista, ando reflexiva, ando estranhamente feliz.
acho que agora, finalmente sei quem sou. e sei quem não quero ser mais.
sei que a vida, e o meu presente, são exclusivamente problema meu. e que ninguém pode me "fuder" mais que eu mesma.
sei tambem que mesmo de longe, estou perto de todos aqueles que amo. parece que há uma esfera superior que nos une, os amo cada dia mais.
sinto falta das pessoas de bh, não da cidade. não suporto aquela cidade.
sinto falta da fafá e do gu bones, e seus sarcasmos eternos.
sinto falta da carência da arthuzzi e seus carinhos. da voz histérica da zé.
do abraço do marquito. de dormir agarrada no doug. sinto falta das cervejas reveladoras na savassi com a fafá. sinto falta do bubu, que nem sei mais onde está. sinto falta dos palcos, sinto mta falta de estar a prova em cena todos os dias, puta exercício. me contento dando aulas, novo desafio. sofro, mas me divirto.
resolvi que quero parar de sofrer tanto por tão pouca coisa, é sempre assim. talvez tenha que ser menos dramática, talvez tenha que ser mais corajosa, talvez tenha que ser menos idealista. aliás, idealismos não combinam comigo, detesto frescura.
ando gostando de ocupar as mãos pra esvaziar a cabeça.
ando com vontade de fazer as pazes, renovar as amizades. ando louca pra viajar.
ando feliz em estar solteira, finalmente. acho que agora preciso me apaixonar por mim.

é, talvez seja só isso...

Quinta-feira, Junho 05, 2008

da chegada do fim do mundo

acho que o mundo está acabando. ou talvez o homem esteja acabando.
falta pouco pra o dia em que a falta de paciência gere a falta de reprodução da raça humana.

os poucos bons, ou normais, razoáveis, são bombardeados e maltratados e mal-amados pelos medíocres. e o mundo está resumido a isso. ou menos.

falta amor no mundo. falta amor em mim. me falta paciência. me falta entendimento.

me faltam razões para acreditar que é possível.

Domingo, Maio 11, 2008

coisas importantes a saber sobre mim:

não gosto de dependência. não gosto de gente que não gosta de independência.
não gosto de convenções, fórmulas, hierarquias, horários, métodos, segregações.
não gosto de indiferença, tenho pavor de competições. queria que as pessoas precisassem querer menos. a gente seria feliz mais facilmente com menos querências.

não gosto de limitações, detesto que queiram resolver minha vida pra mim, acho difícil errar e difícil ser mandada. preciso aceitar que errar é parte do jogo. detesto jogos, detesto meias-palavras, detesto eufemismos. gosto das palavras bem ditas, mesmo que só estejam ali nas entrelinhas. por isso talvez é que ame poesia. os meus bons poetas são aqueles que sabem exatamente o que dizem por trás de belas palavras.

leio menos do que gostaria, me sinto mais desesperançada do que gostaria, tenho mais tempo livre do que gostaria. me sinto muito desentendida, acho que falta em muitas pessoas a "lubrificação intelectual" de ler as minhas entrelinhas, que estão aqui, expostas nos meus olhos, que não sabem fingir, nem esconder. nos meus olhos que pedem que me decifrem.

tenho um sorriso estampado no rosto, que nem sempre reflete o que se passa no meu coração, mas que ainda assim não deixa de estar ali, segurando meus olhos tristes. sonho com segurança, tranquilidade, paz de espírito. sonho em ter um dia um restaurante e filhos. na praia. e uma vida muito tranquila.

não tenho grandes ambições ideológicas e acadêmicas, queria muito ter dinheiro pra ter uma vida tranquila, só. sem precisar morrer pra isso e sem precisar ficar rica pra ser feliz. não quero ser estrela, não quero fazer novela, não quero ser famosa. não quero ser referência, objeto de estudo, não quero criar métodos e ser admirada por eles.

quero ser a boa mãe que é a minha mãe. no momento certo. aí sim quero ser referência.

atualmente só consigo acreditar no amor fraterno. e acho muito bom ter bons amigos e me sentir amada, e ainda melhor ter capacidade de dizer a eles o quanto os amo.

acho que as pessoas seriam mais felizes se conseguissem se libertar das tais convenções que tanto detesto. acho que todos são melhores quando tem conhecimento de si e são capazes de lidar com as proprias vontades. independente das consequencias, independente do que pensam os outros, independente do que dizem os bons modos.

tenho certeza que queria um ombro onde enconstar pra dormir essa noite. tenho certeza que é dificil pra mim permitir que alguém entre desse modo na minha vida.

tenho certeza que chorar pra mim é uma coisa fácil, mas nem sempre por motivos fáceis. chorar é mais fácil que me abrir. mas não é melhor. ficam umas gotas guardadas que só abraço de amigo consegue secar.

adoro ficar de pé no chão, adoro o vento que vem do mar, adoro ter liberdade com as pessoas que me são caras. adoro poder dizer "trepar" em vez de "transar" e "vai tomar no cú" em vez de "vai tomar banho" com a certeza de que não ofendo.

há alguns anos ando me abrindo de cascas que me prendiam em mim mesma. queria ser menos exigente. a cada casca que sai descubro o quanto sou rigorosa comigo mesma, e o quanto há de beleza de dentro de tanta insegurança e tanta cobrança e tanto medo de errar.

ando me sentindo um pouco velha. um pouco atrasada. e isso é pura burrice! é mais uma das minhas cobranças! pela primeira vez na vida não sou a filha perfeita, que cumpre horários, que consegue tudo que quer, e devia estar feliz por estar conseguindo me permitir de certa forma fazer a coisa errada. quero tempo pra pensar, pra escrever. pra me organizar pra mim mesma.

queria entender tudo que me dizem, queria que todo mundo entendesse as coisas que eu digo.

sou muito impaciente, muito mesmo. no transito então, por vezes tenho desejos assassinos. não tenho muita paciência com as pessoas. elas normalmente tem que me provar primeiro que a antipatia que criei por elas é inútil. acho dificil conversar com qualquer pessoa sobre qualquer coisa, apesar de muita gente me achar o proprio "confessionario" ambulante.

eu queria que as pessoas quisessem me ouvir mais do que me contar, ou do que me apontar soluções superficiais pras coisas que parecem obvias mas não são.

queria acreditar que um dia vou construir uma família. hoje em dia me pego completamente desacreditada desse tipo de amor. aliás, tenho como conceitos muito distintos esse tal amor do que se chama desejo. acho que antes do amor somos bichos, acho sim que a gente sabe pelo cheiro, antes de pela ideologia, o que é que nos atrai. acho que misturar as duas coisas a ponto de trata-las como a mesma só complica ainda mais o que separado já pode ser muito complicado. tambem acho que nada é só uma coisa ou outra, ninguém é isso ou aquilo, apenas está. e devia ser mais fácil pra todo mundo respeitar o "estar" de cada um.

quero crer que sou um ser extremamente protegido. me pego pensando qual foi a ultima vez que eu rezei e não consigo me lembrar. mas tenho certeza da minha propria fé. sei que nada é por acaso, sei que Deus está comigo, sei que sou a todo tempo guiada, cuidada, protegida, pra seguir pelos caminhos certos para os momentos certos e fazer as melhores escolhas a cada um desses momentos.

sou um tanto vaidosa dentro da minha displicência. mas sem perder a displicência jamais.
não penteio cabelo, nunca, só quando acabo de lavar. mas não tiro a mão dele o dia inteiro e não perco uma chance na frente do espelho. não me sinto eu mesma sem meu esmalte vermelho, mas basta a ansiedade passar por perto e destruo todas as unhas. amo um chinelo e um short, mas sei exatamente qual é a imagem que passo com isso.

ando muito triste, me sentindo muito sozinha, mas sei que eu sofro mais do que preciso geralmente e fico muito feliz quando alguma coisa me prova que estava enganada. já dizia um velho amigo que sou dramática de natureza. outro dirá, é escorpiana. e sou, de sangue quente. mas sou mesmo é uma menina, ingênua, que quer acreditar na bondade das pessoas e quer pouco pra si mesma. que quer o direito da tranquilidade. e do amor. que quer muito ser mãe um dia e acha que nasceu pra isso. que quer muito ser boa, e ser respeitada sendo boa, e não abusada. que quer muito que o mundo se liberte das amarras que causam hoje o preconceito, a violência, o desamor, as tantas mágoas, as tantas mortes, as tantas mães sem filhos, as tantas dependências.

eu sou só uma menina que quis crescer antes do tempo e agora quer ser menina de novo.

carta a frederico - ode ao desasossego!

por mais que nem sempre eu entenda, é bom saber que eu sou entendida.

mas dá um aperto, um desasossego, que fica martelando sempre que alguém ousa me decifrar tão bem: porque me expreme e não me conforta?

tudo que eu quero é conforto, sossego, tranquilidade. pra sempre. tudo que eu quero é acalmar o que me tira do eixo todos os dias.

e de repente, sem que eu tenha escolha, passa um furacão que me pede respostas às minhas próprias perguntas... não sei se respondo por elas, ou por ele. não sei se entendo o pedido. não sei se é pra ser entendido.

sei que confio, sei que confundo. sei que no fundo somos farinha do mesmo saco. sei que por mais que tudo pareça passo em falso, e por mais que passo em falso pra mim seja estranho, quero mais é que você não tema dizer o que pensa, mesmo que imagine que possa me fazer mal. faz bem. me faz ver que eu sou menos só no mundo do que pareço ser.

Domingo, Abril 13, 2008

"Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como
sempre serei. E penso se a minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não encarna a
substância de milhares de vozes, a fome de dizerem-se de milhares de vidas, a paciência de
milhões de almas submissas como a minha ao destino quotidiano, ao sonho inútil, à esperança
sem vestígios. Nestes momentos meu coração pulsa mais alto por minha consciência dele. Vivo
mais porque vivo maior."

In: O livro do desassossego - Fernando Pessoa

Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

da forçosa necessidade de aprender...

estou aprendendo a ser só. completamente.

sem aquela falsa esperança de que algum dia as pessoas se dediquem a mim como eu me dedico (ou dediquei) a elas.

estou entendendo que eu devo ser mesmo uma excessão nesse mundo e o que o mais comum é não se preocupar. os outros são os outros, e eles que se fodam. assim parece pensar "o mundo".

e eu me fodo... o máximo que escuto, como consolo para não terem que me escutar, é que eu "sou forte". forte o c-a-r-á-l-e-o!

eu sou fraca, sentimental, completamente chorona... eu fico triste. muito. as vezes por muito tempo.

eu estou cansada de me decepcionar.

eu estou cansada de me calar.

eu estou cansada de gente que acha que sabe de mim e não sabe. que acha que "o mundo" é muy amigo e que se importa com as pessoas erradas.

por outro lado, estou aprendendo. aprendendo a ser só, aprendendo que é melhor sofrer mesmo calada. aprendendo que não vale muito a pena se esforçar muito por gente que, lá no fundo, só quer saber de você quando precisa de você. quando não precisa, fica com "o mundo" muy amigo e yo fico em casa, sozinha, sábados a noite a fio...

estou aprendendo que muita gente quer mesmo é conseguir o que você conseguiu, de preferência melhor. aprendendo que o mundo gira é pra se ganhar. é este o verbo da vez.

estou aprendendo que mãe tem um valor 500 vezes maior do que os mais entusiasmados poderiam calcular. e que amor de mãe é maior que qualquer outra coisa nesse mundo. e que mesmo com tudo isso as vezes a gente pensa em fugir...

por outro lado, voltando aos "amigos", também aprendo, forçosamente, que amor continua ali mesmo com meses de distância sem sequer um telefonema. e que talvez eu seja carente, de alguma forma...

estou aprendendo que preciso ser mais feliz. preciso precisar de mais coisas para ser feliz. senão qualquer dia me enfio num casulo e de lá não ouvirei os telefonemas...

estou aprendendo pela milésima vez que tenho bastante dificuldade de falar de sentimento. que queria ser clara. que queria querer com todas as letras e não ficar só sugerindo... confundindo... ou as vezes até fingindo e tentando não sentir.

estou aprendendo, que nesse mundo, talvez seja mais sadio não se envolver com tanta profundidade. em nada. ou pelo menos diminuir bastante o cartel dos grandes envolvimentos.... reduzir os amigos aos dedos de uma mão... pode ser uma boa meta. os grandes amores da minha vida que ficarão pra posteridade na outra mão... (talvez deva começar a economizá-los).


... ou ainda talvez, deva começar a ter um grande amor da minha vida por mês... não, essa não sou eu.

amo muito, muitas pessoas. mas aprendi que decepções me cansam.

quero poucos amigos, poucos cds... casa, tranquilidade... um dinheiro confortável... uma boa companhia.. uma praia na janela. quero um restaurante, só meu. pra cozinhar diariamente com amor para todas as pessoas que levarem meu coração à boca.

Domingo, Fevereiro 17, 2008

da necessidade de acreditar

eu ainda quero crer que o mundo é esse com o qual sonho.
ainda quero crer que esse mundo existe. que existem pessoas como eu.
ainda quero crer quando se fala em sinceridade. ainda quero crer na palavra das pessoas. ainda quero crer na palavra amor, sem precisar ser piegas. ainda quero crer que existem pessoas que dizem o que sentem e que fazem o que prometem. ainda quero crer na verdade. na sinceridade. na calma, na paz, na felicidade.


ainda quero crer que não preciso ter raiva.

Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008

da necessidade de dizer que é bom ser ouvida.

algumas coisas acontecem sem que você peça. aparecem, do nada, de onde você menos poderia esperar. de onde você sequer cogitasse imaginar. e chegam com um sorriso. leves como uma boa canção. leves como uma voz suave em um sambinha maneiro.

aparecem na vida, nas horas mais exatas, pessoas que te levam a ver coisas que estavam na sua cara. coisas que você precisava enxergar em si pelos olhos dos outros.

você precisava daquele brilho nos olhos do outro pra se ver, refletida. se enxergar sem a nuvem da ignorância alheia.

Terça-feira, Janeiro 29, 2008

há momentos em que espera-se que você tenha algo a dizer.
que você sinta algo específico.
que busque certa resposta. certa pessoa. certa decisão.
há momentos em que te pedem certa solução. e não há o que fazer.
te pedem certa reação, e não há o que sentir.
te pedem perdão, e não há mudança.
te pedem solução, e não há.
há um vazio, uma enorme vontade, vaidade, piedade.

piedade.

há vontade.

Quarta-feira, Dezembro 05, 2007

do mundo que eu queria pra mim (ou: alguma coisa está fora da ordem)

eu queria um mundo em que não existisse uma opinião única a respeito de nada. um mundo em que não houvesse totalidade - lê-se totalitários. queria um mundo em que jamais tentassem me vender vestidos com 4x o valor do salário de um pai de família. muito menos que existissem vestidos com 20, 30x o valor do salário de um pai de família. queria também que nesse mundo nenhuma mãe visse seu filho com fome, nenhuma criança crescesse sem estórias pra dormir, nenhuma mãe sem vocação tivesse filhos.
queria um mundo em não fosse preciso viver se privando de alguma coisa pra se encaixar em padrões. queria que amor fosse suficiente para mudar o mundo. queria um mundo onde ninguém tivesse medo de amar.
queria um mundo que realmente tratasse a todos do mesmo modo. um mundo em que as mulheres fossem respeitadas como deveriam.
queria não ter saudades, queria ser menos ansiosa, queria não precisar tanto de dinheiro.
queria que ninguém chegasse à velhice sem o direito da casa própria. queria não ter que ver crianças trabalhando em sinais de trânsito. queria que meu país tivesse governantes decentes.
queria não ter que chorar vendo recém-nascidos jogados em latas de lixo.
queria saber hoje onde vou morar daqui há pouco tempo. queria saber o que vai ser da minha vida pra sempre. queria um mundo em que os sentimentos de uns não se ferissem para o contentamento de outros.

Sexta-feira, Novembro 16, 2007

do gosto de escrever para ninguém

há um gosto esquisito, mas delicioso, em escrever coisas que ninguém lê - ainda que públicas.
não que eu as escreva para os outros, não que eu pretenda difundir as difusões dos meus pensamentos conflituosos e divertidos.

é como provar coisa errada pela primeira vez.

é um dos gostos desses gostosos de desafio, de auto-exposição, de botar o próprio bloco na rua com o "foda-se" no automático. gosto de mandar mauricinho roda-dura metido a gostoso no trânsito pra "puta que o pariu", mesmo que isso custe um medo enorme. gosto de primeiro beijo que você espera que seja eterno, mas morre de medo que não encaixe.

é quase um vouyerismo às avessas. é gosto do risco de por na tela de quem-quer-que-seja o que você pensa da vida, o que sente, o que gostaria de sentir... gostaria que me sobrasse inspiração para escrever pra ninguém, sempre.

Domingo, Novembro 11, 2007

SAI DE MIIIIIIM, URUCA!

Quarta-feira, Outubro 17, 2007

E tudo mudou...

O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss
O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone
A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM
Confete virou MM
A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse
Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal
Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service
A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão
O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD
A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email
O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo
O break virou street
O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também
O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bike
Polícia e ladrão virou counter strike
Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato
Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...
A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!
A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz........
De tudo.
Inclusive de notar essas diferenças.

Luiz Fernando Veríssimo (dizem que é Veríssimo, se não for, mil perdões)

Segunda-feira, Outubro 01, 2007

Shut your eyes (Shout out Louds)

Say yes
Don’t say no
‘Cause I’m ready now
And I want to go
But if I cry cry cry,
I won’t
So I die die die,
I won’t
I want to know
Please say it isn’t so

It’s now
And we’re too late
There’s no time for a debate
But if you swear you’ll never leave
I promise you I will be
The one who stays there all along

So shut shut shut your eyes
It sounds so good right now
And it came as a big surprise

Stay true
And don’t give up
We’re only started now so please stay up
But if I’ll shout shout shout my name
You will always remember my name
I want to know
Please say it is so

So shut shut shut your eyes
It sounds so good right now
And it came as a big surprise


(SIM, É A MUSICA DO COMERCIAL DO FIAT PUNTO QUE VC NÃO PARA DE CANTAROLAR PELA CASA E TÁ LOUCO PRA SABER O RESTO)

Sexta-feira, Setembro 28, 2007

A DIFERENÇA ENTRE PAI E MÃE

uma menina pequena passeava com sua mãe quando levou a mão à algo que estava no chão e pôs na boca. a mãe a alertou que não deveria fazer isto, pois tudo o que está no chão fica cheio de micróbrios e faz mal. a menina admirada perguntou porque a mãe sabia de tudo. a mãe respondeu que é preciso passar num teste para ser mãe, que depois que ela aprendesse todas essas coisas também poderia ser mãe se passasse no teste.
intrigada com a resposta, a menina continuou andando mas pensativa. de repente uma luz se acendeu: ahhhh mamãe, eu entendi. então se não passar no teste vira pai?
[autor desconhecido]

hahahahahaha! adorei...

Quinta-feira, Setembro 27, 2007

eu queria alento - ninguém me deu.

nem quem não tinha direito de me recusar alento.
nem quem eu mais queria que me desse.
nem quem perguntou se eu estava bem e eu não tava.

eu queria alento - ninguém tentou.

Quarta-feira, Setembro 12, 2007

entalada de pizza sabor senado

e mais uma vez nosso país é coberto de molho de tomate e mussarela.

acho que se eu morasse em brasília ou se não tivesse com a barriga costurada ia querer quebrar aquele congresso essa noite. isso é vandalismo, não. não sou como eles.

dá desgosto viver num lugar em que uma mãe é presa por roubar uma manteiga pra alimentar o filho porque não chega até ela assistência do governo e um bando de ladrões fica lá, deliberando sobre o nosso futuro e se auto-protegendo como se fossem celebridades na mira dos paparazzi. jornalista político não é paparazzi... sessão de cassação de presidente do senado devia ter as portas do congresso abertas não só pros jornalistas como pra qualquer cidadão comum que quisesse se expressar.
e o canalha ainda declara que o dia de hoje foi uma "vitoria da democracia"... vontade de enfiar a mão na cara de um sujeito desses... não honra as proprias calças, que abaixa pra qualquer vagabunda, muito menos a própria esposa, detentora do troféu de corna.

cornos tbm somos nós... traídos pelos nossos poucos votos conscientes, reforçados com os votos inconscientes dos outros... de mãos atadas pra tirar de dentro do congresso um ladrão, apoiado por outros 40...

aprendi ainda pequena aquela letra que dizia que "luiz inácio avisou..."
luiz inácio se absteve, está na europa divulgando o etanol... que amanhã não será capa de nenhum jornal europeu... mas o vexame que toma conta do nosso congresso federal com certeza amanhã será motivo de chacota do presidente semi-analfabeto que com tantos anos de governo ainda se orgulha de não falar a lingua dos gringos... junto com ele, nosso país vai pro ralo, nosso governo acaba em pizza...

... e os "40 picaretas com anel de doutor" estão brindando a nossa desgraça.

Terça-feira, Setembro 04, 2007

eu:

cortada e costurada,
picada e repicada,
acesa e apagada.

eu:

apagada e acesa,
viva e morta,
velha e nova.

tudo novo,
tudo claro,
tudo completamente obscuro.

eu:
forte e fraca,
desfeita e refeita,
EU DEPENDENTE.

susto, enfim. passou. fim. ufa!

Sábado, Agosto 25, 2007

choro

por lucinda e por clarice,
por cecilia e por elis e por cora.

por lili, eliane, elisabeth.
por mim e por nós e por elas.

por henrique, hector, marco elisio; arreios.

por todo o amor que ainda sentirei.

Pode café

Ela pede

Ela cora

Ela quer

Coar café na mira

de minhas elegantes meninas

E correr pela ladeira ume-descida

Calcinha coador pela manhã

Ela cede

Ela chora

Ela até

canta um sangrado tango

e me diz: Não me zango

em abrir geladeiras

Quando o que faz é o que quer

Ela mede

Ela mora

Se ela der

um grito no espaçoda cozinha

É que ela quer ser minha

e fugir

Se cair em desmaio

na sala

quer voltar pra senzala

E dançando um xote

apanhar com meu chicote

Mil lambidas

Mil lambadas

Ela em pele

Ela agora

Ela aqui

Me engole o ferrão do corpo

E sai zombando de mim

[Elisa Lucinda]

Sexta-feira, Agosto 24, 2007

Serenata

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.

Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.

Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo

Quinta-feira, Agosto 16, 2007

Poema do Amor Perfeito

Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.

Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.

Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se aleita,
entre pálpebras de areia...

Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.

-Cecília Meireles-

Domingo, Julho 29, 2007



Dos peitos e da serenidade da Vênus de Milos.

Já disse um dia que os queria. E ainda quero. Embora nada tenha mudado muito radicalmente ainda, sinto-me cada dia mais serena com uma certeza do que ainda não mudou.

Aí estou, a própria. De braços cortados pra mudar o presente, mas com a felicidade do futuro que está por vir estampada no rosto e a segurança do peito aberto pra lutar por esse futuro.

Segunda-feira, Julho 23, 2007

da dor de crescer - só.

a cada dia as minhas certezas só aumentam.

por um lado, descubro que o mundo precisa saber o que eu quero, senão nada se concretiza. na verdade quem precisa saber sou eu, bater pé, por firmeza nos meus próprios desejos.

por outro, vem junto a certeza de que crescer é um processo completamente solitário. as nossas escolhas vão se conformando e tomando força e dominando a nossa vida sem que ninguém saiba direito do que passa dentro da gente. ninguém se preocupa realmente, embora muitos perguntem, especulem, dos assuntos mais cotidianos.

a dor de crescer só está me fazendo bem. sem palpites o prumo está ali, no alcance dos meus olhos. mas falta colo, falta abrigo, faltam as opiniões com que estou acostumada.

Sábado, Maio 12, 2007

saudades de escrever aqui.
não sei se é a vida que não me deixa tempo ou não me deixa tema.
o fato é que estou ficando prática.

e reclamar não cabe mais,
poesiar não anda dando tempo,
e escrever qualquer coisa não me apetece.

estou escrevendo na vida... com poesia.
apagando da lista os lamentos, incrementando os incrementos.

quero mais é pintar e bordar! rsrsrs

Sábado, Abril 21, 2007

quero os peitos e a serenidade da Vênus de Milos.
quero os peitos e a serenidade da Vênus de Milos.

Quarta-feira, Abril 04, 2007

do dia em que eu vi a lua

até me acostumar com uma vida sem serra, quintal e calçada, vizinho e troca de receita, via nos letreiros luminosos da nova vida a saudade que tinha da lua cheia na minha janela. a nova janela me mostra outras cem janelas, e provavelmente delas estão outros 100, 96, 34, não sei... outros tantos... todos sentindo falta de luar.

mas surpresas nos cercam pra não fazer a vida parar. e lá estava ela outro dia, linda...
ofuscando os faróis, os sinais, as buzinas, a sujeira do vidro do ônibus...

lá estava ela pra me lembrar que ser feliz é ser assim: imponente, bonita, simples e ofuscante...
oscilante porque é necessário... mas sempre de uma beleza imcomparável.

Sexta-feira, Março 23, 2007

da necessidade de ser...

como é bom ter coragem, ter segurança, ter força...

a vida desliza e o eterno sofrimento desnecessário some....

Sábado, Março 17, 2007

das formas de amor

tenho de todas um pouco em mim. a que mais falta é só uma em mil, mas é a que dói mais latente.

"quem de dentro de si não sai vai morrer sem amar ninguém
capoeira que é bom não cai, e se um dia ele cai, cai bem..."

Segunda-feira, Março 12, 2007

pra completar caio fernando...

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

(Cecília Meireles)

Domingo, Março 11, 2007

"o amor também é uma espécie de morte ( a morte da solidão, a morte do ego trancado, indivisível, furiosa e egoisticamente incomunicável). O acontecer do amor e da morte desmascaram nossa patética fragilidade"

caio fernando abreu