Faz tempo, foi-se embora aquela expectativa toda.
Aquela euforia a cada pequeno passo. (Seria esta a química da paixão?)
Foram-se as lágrimas, ficou uma mágoa pequenina e insignificante.
Foi-se a agonia à espera do amanhã, vieram as certezas das precipitações de ontem.
Foi-se o ódio ao me confrontar com seu telefone desligado;
Ficou somente a constatação. (Sem julgamentos!)
Foi-se a certeza de que fiz tudo certo. (Ficou a certeza de que fiz tudo que pude.)
(Foi-se a certeza de que não te magoei) Ficou a dúvida sobre o que te fiz sentir.
Faz tempo, entendi que algumas coisas permaneceriam...
Impregnadas nos tecidos, nas narinas, nos desejos, nos sons, nos lugares.
(Desisti de lutar contra; bobagem! Somos mesmo bastante parecidos.)
Melhor pensar que algumas coisas também permaneceram em você.
Há pouco, admiti pra mim mesma os meus atropelos;
Entendi que te fiz mal, querendo te fazer mais homem.
Tive vergonha de mim; entendi que eu mesma ainda não era tão mulher assim.
Aquelas coisas, as que permanecem, hoje não me tocam mais tão profundamente.
(Pode ser que toquem, mas simplesmente pelo que realmente são, não mais pelo significado que eu gostaria outrora de decifrar em cada vírgula.)
Bom saber que minha música ainda toca no seu repertório,
Que você ainda se encaixa no meu colo.
(A paixão que me tirava os sentidos foi-se embora, mas) O gosto é o mesmo.
Aliás,
Acho que agora gosto mais de você arroz-com-feijão do que capelleti de espinafre.
(Ficou na minha memória um gosto latente de boca suja de cotidiano.)
Gostaria bastante do sabor suco de laranja fresco no café-da-manhã preguiçoso de um domingo qualquer (completamente despretensioso):
E você pediria (com aquele tom manso de quem sabe o que quer) que preparasse seu suco (porque não compactua com meu café), sem hesitar em me ofender com seu comodismo.
E eu já o teria feito (enquanto fervia a água, juntava as bagunças e te via dormir aquela hora a mais de sempre) sem hesitar em concordar com seu comodismo, sem reclamar da sua preguiça, sem te chamar de filhinho-da-mamãe. (Porque gosto de você manso, espalhado, menino criado a pão-de-ló)
E ouviríamos as músicas que um dia me enlaçaram no seu bom-gosto musical,
E daríamos risadas da fuga estratégica da animação do sábado dos nossos amigos.
E manteríamos o ritmo lento e a respiração carregada que deve ter um bom domingo,
Sem pensar no amanhã.
(Porque agora, tomada deste sentimento sem-nome mais maduro mas ainda completamente puro, entendo que é assim que todas as coisas devem ser.)
27 de set. de 2010
14 de set. de 2010
Do dilema da falta
Vai-se abrindo, cá dentro, um ponto ínfimo de dúvida.
A dúvida vira buraco.
O buraco é falta.
A falta é certeza da ausência.
De que? De quem?
Já nem sei.
Sei que o buraco cresce, e machuca.
Sei que o buraco está em mim, mas não é meu.
A falta que faz o encaixe do buraco é fome negra,
É sapo engolido, é dor de cotovelo,
É falta. É dúvida. É solidão.
A dúvida vira buraco.
O buraco é falta.
A falta é certeza da ausência.
De que? De quem?
Já nem sei.
Sei que o buraco cresce, e machuca.
Sei que o buraco está em mim, mas não é meu.
A falta que faz o encaixe do buraco é fome negra,
É sapo engolido, é dor de cotovelo,
É falta. É dúvida. É solidão.
13 de set. de 2010
Naquele lugar
Por aquela estrada,
Naquele caminho sem luzes e sem placas,
Vamos perdendo as referências,
Nos desnudando dos nossos preconceitos habituais,
Voltando a ser nós mesmos.
Por aquele caminho certeiro,
Passando por aquelas cidades minúsculas,
Vamos dizendo das coisas da vida,
Vamos pensando nas coisas do tempo,
Vamos ouvindo as canções que nos embalam.
Noite afora, chegamos naquele lugar:
Aquele lugar que é só nosso.
Aquele lugar onde as coisas acontecem.
Aquele lugar onde as mãos se tocam,
Onde a noite é silêncio,
Onde a cama é simples e os pensamentos vazios.
Aquele lugar onde podemos ser nós - juntos.
Em que nada é preocupação, em que tudo é amor genuíno.
Naquele lugar em que nós somos nós e existe um sentimento puro, livre da opinião alheia, banhado pelas águas limpas, cultivado com pé-no-chão.
Naquele lugar...
Naquele caminho sem luzes e sem placas,
Vamos perdendo as referências,
Nos desnudando dos nossos preconceitos habituais,
Voltando a ser nós mesmos.
Por aquele caminho certeiro,
Passando por aquelas cidades minúsculas,
Vamos dizendo das coisas da vida,
Vamos pensando nas coisas do tempo,
Vamos ouvindo as canções que nos embalam.
Noite afora, chegamos naquele lugar:
Aquele lugar que é só nosso.
Aquele lugar onde as coisas acontecem.
Aquele lugar onde as mãos se tocam,
Onde a noite é silêncio,
Onde a cama é simples e os pensamentos vazios.
Aquele lugar onde podemos ser nós - juntos.
Em que nada é preocupação, em que tudo é amor genuíno.
Naquele lugar em que nós somos nós e existe um sentimento puro, livre da opinião alheia, banhado pelas águas limpas, cultivado com pé-no-chão.
Naquele lugar...
12 de set. de 2010
Das dúvidas do sentir
- Eu teria direito, ou simplesmente agiria por impulso?
Sentira falta, admitira. Apesar de guardar consigo uma mágoa de dor mal-resolvida, não conseguia sentir aquela obrigação dos orgulhosos de se afastar e se enraivecer.
- Se o orgulho não vence a falta, será que o sentir seria maior que a dor?
Se desdobrara em sentimentos confusos, em braços escusos, mas não mais firmara certeza em outro alguém. Quisera sumir, abandonar; quisera não-sentir. Não podia.
- Não podia, ou não queria?
Quisera não querer. Quisera esquecer, apagar, afanar o sentir e afagar o orgulho próprio. Mas nada a fizera enxergar este orgulho vencendo o sentir.
- E o sentir, é possível nomear?
Quisera entender, compreender, quisera esclarecer, nomear, renomear, soletrar, se fosse possível. Tinha sempre uma venda nos olhos dividindo o sentir em partes impossíveis de se juntar e classificar.
- Qual o problema da dúvida?
Tentara entender como conviver com a dúvida. Não conseguia. Tentara perdoar, tentara esquecer, tentara não sentir. Nada resolvia. A dúvida a impedia de agir.
A cabeça não deixara falar o coração.
Buscava, então, nos braços daquele afago de outrora, entender a 'querência' do seu sentir.
Sentira falta, admitira. Apesar de guardar consigo uma mágoa de dor mal-resolvida, não conseguia sentir aquela obrigação dos orgulhosos de se afastar e se enraivecer.
- Se o orgulho não vence a falta, será que o sentir seria maior que a dor?
Se desdobrara em sentimentos confusos, em braços escusos, mas não mais firmara certeza em outro alguém. Quisera sumir, abandonar; quisera não-sentir. Não podia.
- Não podia, ou não queria?
Quisera não querer. Quisera esquecer, apagar, afanar o sentir e afagar o orgulho próprio. Mas nada a fizera enxergar este orgulho vencendo o sentir.
- E o sentir, é possível nomear?
Quisera entender, compreender, quisera esclarecer, nomear, renomear, soletrar, se fosse possível. Tinha sempre uma venda nos olhos dividindo o sentir em partes impossíveis de se juntar e classificar.
- Qual o problema da dúvida?
Tentara entender como conviver com a dúvida. Não conseguia. Tentara perdoar, tentara esquecer, tentara não sentir. Nada resolvia. A dúvida a impedia de agir.
A cabeça não deixara falar o coração.
Buscava, então, nos braços daquele afago de outrora, entender a 'querência' do seu sentir.
29 de jul. de 2010
e se...? ou - lá em pandeiros!
e se eu fosse capaz de dizer o que ninguém disse ainda?
e se eu pudesse?
e se eu entendesse à tua alma melhor do que conheces, maior do que compreendes?
e se tu não quisesses?
e se fosses capaz de ver, nas entrelinhas dos meus olhos tristes, quais são meus reais desejos?
e se eu permitisse?
e se meus olhos se abrissem ao tocar dos teus e fossem juntos, bem mais que dois?
e se pudéssemos tentar?
e se tudo o que disseram sobre nós fora uma doce verdade?
e se quiséssemos?
e se tentássemos, e fugíssemos, e nos escondêssemos além da mata, ao lado da cachoeira, onde mais planejamos nos guardar do mundo, nos abrir um pro outro?
e se ficássemos, pra sempre, e se nos uníssemos, e parássemos o tempo, e se não pensássemos mais em nada?
e se eu pudesse?
e se eu entendesse à tua alma melhor do que conheces, maior do que compreendes?
e se tu não quisesses?
e se fosses capaz de ver, nas entrelinhas dos meus olhos tristes, quais são meus reais desejos?
e se eu permitisse?
e se meus olhos se abrissem ao tocar dos teus e fossem juntos, bem mais que dois?
e se pudéssemos tentar?
e se tudo o que disseram sobre nós fora uma doce verdade?
e se quiséssemos?
e se tentássemos, e fugíssemos, e nos escondêssemos além da mata, ao lado da cachoeira, onde mais planejamos nos guardar do mundo, nos abrir um pro outro?
e se ficássemos, pra sempre, e se nos uníssemos, e parássemos o tempo, e se não pensássemos mais em nada?
13 de jul. de 2010
Se você viesse
Eu limparia a terra,
Eu plantaria a horta.
Eu pintaria as janelas de azul anil.
Eu varreria os ventos das canções mal-acabadas e sopraria a poeira de dias infelizes.
Eu trocaria os lençóis,
Eu pensaria em canções,
Eu planejaria o quarto que um dia seria dos meninos.
Eu tentaria não chorar todos os dias ao ver-te entrar.
Eu suspiraria todas as noites,
Eu cantaria todas as manhãs,
Eu esperaria todo anoitecer,
Eu dormiria por alguns segundos com as tuas mãos em meus cabelos inebriada com teu cheiro.
Eu seria tua,
Eu seria minha, com os pés na terra e os vestidos voláteis.
Eu seria a mãe das meninas de cabelos revoltos e dos meninos dos pés descalços.
Eu ensinaria a plantar,
Eu colheria do pé,
Eu escolheria o sabor.
Eu alimentaria a eles, e a ti, como a mais devota das mulheres.
Eu teria mais fé,
Eu seria mais mulher,
Eu teria mais amor,
Se você viesse.
Eu plantaria a horta.
Eu pintaria as janelas de azul anil.
Eu varreria os ventos das canções mal-acabadas e sopraria a poeira de dias infelizes.
Eu trocaria os lençóis,
Eu pensaria em canções,
Eu planejaria o quarto que um dia seria dos meninos.
Eu tentaria não chorar todos os dias ao ver-te entrar.
Eu suspiraria todas as noites,
Eu cantaria todas as manhãs,
Eu esperaria todo anoitecer,
Eu dormiria por alguns segundos com as tuas mãos em meus cabelos inebriada com teu cheiro.
Eu seria tua,
Eu seria minha, com os pés na terra e os vestidos voláteis.
Eu seria a mãe das meninas de cabelos revoltos e dos meninos dos pés descalços.
Eu ensinaria a plantar,
Eu colheria do pé,
Eu escolheria o sabor.
Eu alimentaria a eles, e a ti, como a mais devota das mulheres.
Eu teria mais fé,
Eu seria mais mulher,
Eu teria mais amor,
Se você viesse.
21 de mai. de 2010

De que adianta se esconder do mundo, se munir de argumentos, se armar de escudos, e máscaras, e tantas faces, se quando o mundo quer, corre água por todo lado, que pode te tomar de gratas surpresas ou desgraças e moléstias imprevisíveis e pode ser que não haja pé capaz de correr do que está por vir?
será que está aí o erro?
acho que não me meto em relacionamento nenhum, aliás, nem cogito, sem antes pensar nos filhinhos, no sossego, na casa escondida, na horta no quintal. (às 02:45 da manhã numa conversa um tanto filosófica)
11 de abr. de 2010
das coisas que carrego comigo
carrego aqui dentro uma certeza:
de que a vida é sempre bonita, mesmo que por caminhos tortuosos.
carrego comigo a fé:
em mim, nos outros, no homem, no Homem.
carrego nos ombros dores dos outros, paixões mal-resolvidas, saudades eternas.
carrego um sorriso largo:
sorriso que não sabe se fechar, mas que nem sempre é sinal de felicidade; mas que jamais é falso. sorriso pra mim é filosofia de vida.
carrego nos olhos baixos tristeza:
talvez uma tristeza tão profunda que eu mesma não conheça bem;
talvez uma tristeza simétrica, ou assimétrica: tenho poucos e claros cílios, apesar da minha carinha de boneca.
carrego em mim uma paz de espírito que quase nunca se vê; sou furacão.
de que a vida é sempre bonita, mesmo que por caminhos tortuosos.
carrego comigo a fé:
em mim, nos outros, no homem, no Homem.
carrego nos ombros dores dos outros, paixões mal-resolvidas, saudades eternas.
carrego um sorriso largo:
sorriso que não sabe se fechar, mas que nem sempre é sinal de felicidade; mas que jamais é falso. sorriso pra mim é filosofia de vida.
carrego nos olhos baixos tristeza:
talvez uma tristeza tão profunda que eu mesma não conheça bem;
talvez uma tristeza simétrica, ou assimétrica: tenho poucos e claros cílios, apesar da minha carinha de boneca.
carrego em mim uma paz de espírito que quase nunca se vê; sou furacão.
10 de abr. de 2010
9 de abr. de 2010

em tese a vida é fácil:
acordar, comer, banhar, trabalhar, comer, banhar, dormir.
por vezes, amar. raras as doces vezes de amar.
será que é isso o que dificulta vida?
por vezes, sonhar. sonhar é um alívio pras querências.
por vezes, sofrer. sofrer é realmente preciso?
"o amor na prática é sempre ao contrário" Cazuza
pensa comigo:
frio dá fome,
fome dá gula,
gula dá vontade de comer doce.
frio com gula dá vontade de brigadeiro de colher.
brigadeiro de colher gasta meia-hora em cima da panela, mexendo sem parar.
e minha cama tá uma delícia.
e de segunda pra frente, vou ter que acordar 6:30 da manhã. todo dia.
e trabalhar o dia inteiro. trabalhar muito por um salário mísero.
mas num emprego bacana! poxa, um emprego! nem lembro a última vez que tive um... trabalho, faz tempo, sempre to trabalhando de um jeito ou de outro. mas emprego faz tempo... mas não desmereço meus trabalhos... em termos de dinheiro, talvez venha a ganhar até menos... mas, pô! empreeeego! fala isso pro seu pai, se ele prefere uns trampos ou emprego? aff! to feliz!
mas por outro lado, dói. é feio saber que meu currículo bacana vale muito em tese, mas que mal-mal eu pagarei as roupas que preciso comprar pra trabalhar bem-vestida.
aff... é só um desabafo! daqui de cima da minha cama confortável, de meia nos pés, no escurinho, curtindo preguiça no meio da tarde. talvez a última das minhas tardes de paz. talvez sonhando com a correria que virá.
pensa comigo: melhor ficar deitadinha aqui, não?
frio dá fome,
fome dá gula,
gula dá vontade de comer doce.
frio com gula dá vontade de brigadeiro de colher.
brigadeiro de colher gasta meia-hora em cima da panela, mexendo sem parar.
e minha cama tá uma delícia.
e de segunda pra frente, vou ter que acordar 6:30 da manhã. todo dia.
e trabalhar o dia inteiro. trabalhar muito por um salário mísero.
mas num emprego bacana! poxa, um emprego! nem lembro a última vez que tive um... trabalho, faz tempo, sempre to trabalhando de um jeito ou de outro. mas emprego faz tempo... mas não desmereço meus trabalhos... em termos de dinheiro, talvez venha a ganhar até menos... mas, pô! empreeeego! fala isso pro seu pai, se ele prefere uns trampos ou emprego? aff! to feliz!
mas por outro lado, dói. é feio saber que meu currículo bacana vale muito em tese, mas que mal-mal eu pagarei as roupas que preciso comprar pra trabalhar bem-vestida.
aff... é só um desabafo! daqui de cima da minha cama confortável, de meia nos pés, no escurinho, curtindo preguiça no meio da tarde. talvez a última das minhas tardes de paz. talvez sonhando com a correria que virá.
pensa comigo: melhor ficar deitadinha aqui, não?
25 de jan. de 2010
4 de jan. de 2010
O ser sem palavras
Eu, tal qual Palomar, aquele de Calvino, queria morder a língua três vezes e emudecer antes de falar. Queria que me acabassem as palavras tal qual me inundam os pensamentos.
Eu, tal qual devia ser, sou mais sentimental que ele(s). E os deixo embalar a trilha sonora dos momentos de silêncio - ou de agonia - já que falam bem por mim.
Enquanto trabalho em excesso, me sobe pelo esôfago aquela intragável sensação de que ficar calada - e sozinha - literalmente dói. É como se, ao emudecer, engolisse ar para não falar - engolisse sapos para ter o tempo necessário de pensar.
Eu, tal qual no outro ano, passei por este a tão pouco findado a esmo: pensando muito, lendo pouco, tentando entender sempre mais de mim - talvez para tentar entender sempre mais dos outros.
Tentei outra vez que amor não doesse - e doeu. Pensei em desistir... mas não seria eu.
Me faltam palavras da boca pra fora - graças a Deus - mas sobra a certeza que nem sempre tudo precisa ser dito.
Bruna Veloso
Eu, tal qual devia ser, sou mais sentimental que ele(s). E os deixo embalar a trilha sonora dos momentos de silêncio - ou de agonia - já que falam bem por mim.
Enquanto trabalho em excesso, me sobe pelo esôfago aquela intragável sensação de que ficar calada - e sozinha - literalmente dói. É como se, ao emudecer, engolisse ar para não falar - engolisse sapos para ter o tempo necessário de pensar.
Eu, tal qual no outro ano, passei por este a tão pouco findado a esmo: pensando muito, lendo pouco, tentando entender sempre mais de mim - talvez para tentar entender sempre mais dos outros.
Tentei outra vez que amor não doesse - e doeu. Pensei em desistir... mas não seria eu.
Me faltam palavras da boca pra fora - graças a Deus - mas sobra a certeza que nem sempre tudo precisa ser dito.
Bruna Veloso
22 de nov. de 2009
Porque Cazuza é a lição, mas Vinícius, a cartilha.
“E quando acaba a gente pensa que ele nunca existiu...”
“Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.”
Lição? “Quero a sorte de um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida.”
“Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.”
Lição? “Quero a sorte de um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida.”
26 de out. de 2009
Beijos de Beco
Beijos de Beco
Kátia B
Composição: Katia B/ Laufer/ Fausto Fawcett
Eu uso batom e deixo minha boca vermelha
Eu digo que é bom e faço o que me dá na telha
E deixo que digam ,que pensem , que falem
Deixo que maltratem, desacatem por aí
Pois ninguém sabe, ninguém vê
O que eu sinto por você
Orgulho da soberba vontade
Imperativa que habita teu gozo
Inconsciente, é sonho inconsciente
Feminina fantasia que encurrala tua vida
Em beijos de beco,em beijos de beco
Na fronteira do desejo, do mistério, da vontade
Sei que a sua mente, sou a sua mente
Sei que a sua mente, sou a sua mente, sei da sua mente, seja sua mente
Sorrateria ênfase do impulso selvagem
Abandono tudo pra provocar
Sensação feminina que fascina
Sensação…
Sei que a sua mente, sou a sua mente
Sei que a sua mente, sou a sua mente, sei da sua mente, seja sua mente
dancing all night
kissing free
dance with me to make me happy
let me know you by the touch of your hands
while the world is running round and round
in your arms I disappear
eu me lembro
de voar
nos teus braços
bem devagar
Kátia B
Composição: Katia B/ Laufer/ Fausto Fawcett
Eu uso batom e deixo minha boca vermelha
Eu digo que é bom e faço o que me dá na telha
E deixo que digam ,que pensem , que falem
Deixo que maltratem, desacatem por aí
Pois ninguém sabe, ninguém vê
O que eu sinto por você
Orgulho da soberba vontade
Imperativa que habita teu gozo
Inconsciente, é sonho inconsciente
Feminina fantasia que encurrala tua vida
Em beijos de beco,em beijos de beco
Na fronteira do desejo, do mistério, da vontade
Sei que a sua mente, sou a sua mente
Sei que a sua mente, sou a sua mente, sei da sua mente, seja sua mente
Sorrateria ênfase do impulso selvagem
Abandono tudo pra provocar
Sensação feminina que fascina
Sensação…
Sei que a sua mente, sou a sua mente
Sei que a sua mente, sou a sua mente, sei da sua mente, seja sua mente
dancing all night
kissing free
dance with me to make me happy
let me know you by the touch of your hands
while the world is running round and round
in your arms I disappear
eu me lembro
de voar
nos teus braços
bem devagar
9 de out. de 2009
da inevitável tarefa de ficar pra titia...
sou tão grande ao ver dos primos pequenos, que eles me perguntam porque eu não tenho filhos...
minhas amigas quase de infância: uma de resguardo, uma quase em trabalho de parto, uma quase comemorando 1 ano do gostoso do joão!
dá um pesinho de ver a vida passando, dá aquela vontade desajuizada que passa em um segundo de antecipar os filhos bochechudos mesmo com a certeza da hora errada, dá uma sensação nítida de que podia ser com você!
meu assunto atual maior é contração, batizado, lembrancinha de maternidade. pelo menos ganho uma afilhada gostosa logo logo e me contento em pageá-la. bom é que o exemplo tanto é tentador, quando é educativo...
haja juízo!
minhas amigas quase de infância: uma de resguardo, uma quase em trabalho de parto, uma quase comemorando 1 ano do gostoso do joão!
dá um pesinho de ver a vida passando, dá aquela vontade desajuizada que passa em um segundo de antecipar os filhos bochechudos mesmo com a certeza da hora errada, dá uma sensação nítida de que podia ser com você!
meu assunto atual maior é contração, batizado, lembrancinha de maternidade. pelo menos ganho uma afilhada gostosa logo logo e me contento em pageá-la. bom é que o exemplo tanto é tentador, quando é educativo...
haja juízo!
29 de jul. de 2009
bom de não ter nada, é que não há o que perder! :)
tudo que vale é família, tudo que vier é lucro, toda boa companhia é bem vinda.
todo bom vinho é dinheiro bem gasto, todo bom músico deveria tornar-se rico.
tudo que é feito com fé, suor, e amor, faz bem.
faço tudo o que posso, e não tenho nada. não tenho o que perder.
no entanto, ouço as melhores músicas, tenho bons amigos por perto, e fico pobre tomando vinho bom.
tudo que vale é família, tudo que vier é lucro, toda boa companhia é bem vinda.
todo bom vinho é dinheiro bem gasto, todo bom músico deveria tornar-se rico.
tudo que é feito com fé, suor, e amor, faz bem.
faço tudo o que posso, e não tenho nada. não tenho o que perder.
no entanto, ouço as melhores músicas, tenho bons amigos por perto, e fico pobre tomando vinho bom.
Solidão ( TOm zÉ)
Solidão, que poeira leve
Solidão, olha a casa é sua
Na vida, quem perde o telhado
Em troca recebe as estrelas
Pra rimar até se afogar
E de soluço em soluço esperar
O sol que sobe na cama
E acende o lençol
Só lhe chamando
Solicitando
Solidão, que poeira leve
Solidão, olha a casa é sua
O telefone chamou
Foi engano
Solidão, que poeira leve
Solidão, olha a casa é sua
E no meu descompasso o riso dela
Se ela nascesse rainha
Se o mundo pudesse aguentar
Os pobres ela pisaria
E os ricos iria humilhar
Milhares de guerras faria
Pra se deleitar
Por isso eu prefiro cantar sozinho
Solidão, que poeira leve
Solidão, olha a casa é sua
O telefone chamou, foi engano
Solidão, que poeira leve
Solidão, olha a casa é sua
E no meu descompasso passo o riso dela
Solidão (solidão)
8 de jul. de 2009
Porque Matamos Nossos Pais (Fernando Bonassi)
Porque a velocidade tende a abalar o equilíbrio dos tempos. Porque o espaço não se comporta como antigamente e foi cercado de interesses. Porque os interesses são maiores que a satisfação e a satisfação nos mete medo. Porque a exaltação do medo é igualmente erótica. Porque a energia é magnética e os opostos se retraem. Porque há mais oposição na igualdade do que sonham nossas consciências pesadas. Porque ninguém tem culpa. Porque nos enchem o saco. Porque nos deixam levar. Porque perdemos o rumo e, quando vamos perguntar, vossa ignorância nos assusta. Porque os jogos não domam nossos impulsos. Porque não sabemos o que fazer de nossa sofreguidão. Porque as pistas estão desencontradas, os marcos foram embaralhados e as lições não fazem sentido. Porque aprendemos o que não nos serve. Porque aquilo que nos serve não pode ser aprendido nos seios maternos. Porque há um incômodo moderno nas boas causas de família. Porque a família se reúne mas não se encontra. Porque os encontros são furtivos e recheados de gagueira ou porrada, quando não os dois. Porque a inocência está acabando. Porque a violência é um princípio. Porque é preciso crescer. Porque é preciso vencer. Porque é essa a pior herança com a qual temos que nos haver. Porque o preço da vitória pode ser alto demais. Porque haverão de nos incomodar menos. Porque a renda é mal distribuída e as gerações são mal-acostumadas. Porque o conforto e a serenidade suspeita de alguns é proporcional ao sofrimento dos muitos outros intranquilos. Porque é preciso enfrentar os mistérios do mercado e conhecer os valores das bolsas escondidas. Porque os armários fervem de contratos e as apólices dormem apetitosas nas gavetas. Porque as armas dos crimes se expõem desavergonhadas nas paredes. Porque Deus prefere ensinar a pescar por linhas tortas a nos entregar desde logo o peixe da razão. Porque a razão pode ser um mistério doloroso. Porque há prazer nisso tudo. Porque o prazer se tornou incomunicável. Porque os cientistas deram pra multiplicar as explicações. Porque a natureza está sem jeito, tornando as previsões imprevisíveis. Porque o descontrole contagia os púberes e seus púbis. Porque as drogas permitidas nos viciam de idéias. Porque podemos dançar a qualquer momento. Porque a História é essa mesma e deu pra repetir-se coberta de floreios. Porque nunca foi tão difícil saber pra que lado atirar... Porque somos vaidosos. Porque temos espinhas. Porque devemos superá-los, porque queremos escondê-los. Porque somos egoístas. Porque o estigma também nos qualifica entre mortos e feridos. Porque as soluções justas são postergadas. Porque o julgamento é lerdo e a pena é curta. Porque os corpos de delito culpam a burocracia das instituições e as instituições se defendem com salários extorsivos. Porque os diplomatas e os generais costumavam estar protegidos das bombas. Porque temos pressa. Porque temos asco. Porque é uma prova de amor terrível. Porque o amor e a desconfiança estimulam-se reciprocamente. Porque os heróis são amestrados e os vilões são instruídos. Porque os lares foram destruídos e os laços foram apertados nos pescoços dos mais fracos. Porque precisamos dar um livro, uma reportagem, uma novelinha que seja, se não pudermos mais plantar qualquer esperança numa árvore. Porque estamos cansados de esperar a esperança fincar nossas raízes e morrer por último. Porque somos calculistas e a indenização não é lá essas coisas. Porque o filho do peixe é limitado geneticamente. Porque somos psicopatas sociais e algemas nos excitam a imaginação. Porque a corda roída nessa vida parece um elástico que afina quando estica. Porque é preciso puxar um cabo de guerra. Porque as palavras se perderam das coisas e tudo parece brincadeira. Porque não pensamos ser capazes. Porque não pensamos. Porque temos preguiça. Porque pensamos sempre nisso. Porque é preciso alguma estratégia e a facilidade da burrice é indescritível. Porque todos estamos, de um modo ou de outro, "evoluindo para o óbito", conforme atestam os eufemismos dos relatórios médicos. Porque o sarcasmo é maior que a gratidão e a ironia mais tolerável que o senso de humor. Porque o bom senso dá no que deu. Porque deram os sinais de sua irresponsabilidade ao nos colocarem neste mundo de sem-vergonhice. Porque não somos melhores que os piores dos assassinos, ainda que nos tenham criado por baixo das saias protetoras. Porque há silicone onde deveria haver sangue, há sangue onde deveria haver remédio e há remédio onde deveria haver solução. Porque nos empurram nas barrigas e nos lançam em competições. Porque não somos bons atletas remunerados. Porque não damos lucro. Porque somos cínicos. Porque somos coitados. Porque os modelos são menos libidinosos que as modelos. Porque a beleza pode estar escondida em todas as coisas, por feiosas que sejam, por serem de Deus. Porque há os que preferem a certeza do inferno na terra ao risco do Paraíso no céu. Porque desse trabalho todo a população já está bem cheia, ainda que possa estar procurando qualquer coisa pra fazer entre os contínuos desempregos. Porque o salário é desse tamanho. Porque a expectativa também. Porque a aposentadoria apresenta as melhores garantias. Porque a experiência não salva quem quer que seja. Porque a segurança de quem se salva continua sendo mínima. Por puro acaso. Por um detalhe. Uma mania. Porque as posições são mesquinhas e os conceitos são medíocres, mas, principalmente, porque a paz verdadeira há de custar mais caro do que esse chapéu passado entre uns poucos bem intencionados.
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