25 de ago. de 2007
choro
por cecilia e por elis e por cora.
por lili, eliane, elisabeth.
por mim e por nós e por elas.
por henrique, hector, marco elisio; arreios.
por todo o amor que ainda sentirei.
Pode café
Ela pede
Ela cora
Ela quer
Coar café na mira
de minhas elegantes meninas
E correr pela ladeira ume-descida
Calcinha coador pela manhã
Ela cede
Ela chora
Ela até
canta um sangrado tango
e me diz: Não me zango
em abrir geladeiras
Quando o que faz é o que quer
Ela mede
Ela mora
Se ela der
um grito no espaçoda cozinha
É que ela quer ser minha
e fugir
Se cair em desmaio
na sala
quer voltar pra senzala
E dançando um xote
apanhar com meu chicote
Mil lambidas
Mil lambadas
Ela em pele
Ela agora
Ela aqui
Me engole o ferrão do corpo
E sai zombando de mim
[Elisa Lucinda]
24 de ago. de 2007
Serenata
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo
16 de ago. de 2007
Poema do Amor Perfeito
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.
Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.
Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se aleita,
entre pálpebras de areia...
Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.
-Cecília Meireles-
9 de ago. de 2007
29 de jul. de 2007

Dos peitos e da serenidade da Vênus de Milos.
Já disse um dia que os queria. E ainda quero. Embora nada tenha mudado muito radicalmente ainda, sinto-me cada dia mais serena com uma certeza do que ainda não mudou.
Aí estou, a própria. De braços cortados pra mudar o presente, mas com a felicidade do futuro que está por vir estampada no rosto e a segurança do peito aberto pra lutar por esse futuro.
23 de jul. de 2007
da dor de crescer - só.
por um lado, descubro que o mundo precisa saber o que eu quero, senão nada se concretiza. na verdade quem precisa saber sou eu, bater pé, por firmeza nos meus próprios desejos.
por outro, vem junto a certeza de que crescer é um processo completamente solitário. as nossas escolhas vão se conformando e tomando força e dominando a nossa vida sem que ninguém saiba direito do que passa dentro da gente. ninguém se preocupa realmente, embora muitos perguntem, especulem, dos assuntos mais cotidianos.
a dor de crescer só está me fazendo bem. sem palpites o prumo está ali, no alcance dos meus olhos. mas falta colo, falta abrigo, faltam as opiniões com que estou acostumada.
9 de jul. de 2007
sim, você entendeu...
e descobriu que a resposta era aquela mesma, mas que a certeza é coisa concreta demais, que só o tempo traz e que ela vai lá longe buscar.
mas que mesmo sem certeza, com conversa a resposta é resposta. até porque essa resposta é de dois, embora o um já admita mais certeza que o outro.
e entendeu que a vida é assim mesmo e que só o tempo põe as coisas no eixo, embora ela quisesse adiantar a vida em 6 meses, entenda-se, um semestre. semestre que vai doer, tempo que vai brotar, sentimento que já está e há de se fortificar.
a vida é assim mesmo e a graça é essa. a menina que aprendeu a amar aprendeu junto a entender, a esperar, a acreditar. e a duvidar na necessidade da certeza.
30 de jun. de 2007
conto-de-fadas ao avesso!
de tanto insistir,
de tanto repetir que não entrava mais em roubadas...
Depois de tanto se declarar desiludida convicta...
Depois de tanto pensar, pensar, pensar, e perder oportunidades de puro medo de tentar...
... a menina (tola) resolve acreditar.
E planeja, e sonha, e economiza, e reserva, e se envolve.
E concretiza.
E volta, e chora, e sente falta.
Estava quase formado o conto-de-fadas que faria a menina acreditar que perdeu seus dias pensando demais e não se permitindo. Só faltava o tempo, e a resposta, e a certeza do lado de lá...
... que não veio.
FIM.
12 de mai. de 2007
não sei se é a vida que não me deixa tempo ou não me deixa tema.
o fato é que estou ficando prática.
e reclamar não cabe mais,
poesiar não anda dando tempo,
e escrever qualquer coisa não me apetece.
estou escrevendo na vida... com poesia.
apagando da lista os lamentos, incrementando os incrementos.
quero mais é pintar e bordar! rsrsrs
21 de abr. de 2007
4 de abr. de 2007
do dia em que eu vi a lua
mas surpresas nos cercam pra não fazer a vida parar. e lá estava ela outro dia, linda...
ofuscando os faróis, os sinais, as buzinas, a sujeira do vidro do ônibus...
lá estava ela pra me lembrar que ser feliz é ser assim: imponente, bonita, simples e ofuscante...
oscilante porque é necessário... mas sempre de uma beleza imcomparável.
23 de mar. de 2007
da necessidade de ser...
a vida desliza e o eterno sofrimento desnecessário some....
17 de mar. de 2007
das formas de amor
"quem de dentro de si não sai vai morrer sem amar ninguém
capoeira que é bom não cai, e se um dia ele cai, cai bem..."
12 de mar. de 2007
pra completar caio fernando...
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
(Cecília Meireles)
11 de mar. de 2007
10 de mar. de 2007
da necessidade do grande dia
8 de mar. de 2007
da necessidade de regugitar
27 de fev. de 2007
[Leonce e Lena - Georg Büchner]