29 de jul. de 2010

e se...? ou - lá em pandeiros!

e se eu fosse capaz de dizer o que ninguém disse ainda?
e se eu pudesse?

e se eu entendesse à tua alma melhor do que conheces, maior do que compreendes?
e se tu não quisesses?

e se fosses capaz de ver, nas entrelinhas dos meus olhos tristes, quais são meus reais desejos?
e se eu permitisse?

e se meus olhos se abrissem ao tocar dos teus e fossem juntos, bem mais que dois?
e se pudéssemos tentar?

e se tudo o que disseram sobre nós fora uma doce verdade?
e se quiséssemos?

e se tentássemos, e fugíssemos, e nos escondêssemos além da mata, ao lado da cachoeira, onde mais planejamos nos guardar do mundo, nos abrir um pro outro?

e se ficássemos, pra sempre, e se nos uníssemos, e parássemos o tempo, e se não pensássemos mais em nada?

13 de jul. de 2010

Se você viesse

Eu limparia a terra,
Eu plantaria a horta.
Eu pintaria as janelas de azul anil.
Eu varreria os ventos das canções mal-acabadas e sopraria a poeira de dias infelizes.

Eu trocaria os lençóis,
Eu pensaria em canções,
Eu planejaria o quarto que um dia seria dos meninos.
Eu tentaria não chorar todos os dias ao ver-te entrar.

Eu suspiraria todas as noites,
Eu cantaria todas as manhãs,
Eu esperaria todo anoitecer,
Eu dormiria por alguns segundos com as tuas mãos em meus cabelos inebriada com teu cheiro.

Eu seria tua,
Eu seria minha, com os pés na terra e os vestidos voláteis.
Eu seria a mãe das meninas de cabelos revoltos e dos meninos dos pés descalços.

Eu ensinaria a plantar,
Eu colheria do pé,
Eu escolheria o sabor.
Eu alimentaria a eles, e a ti, como a mais devota das mulheres.

Eu teria mais fé,
Eu seria mais mulher,
Eu teria mais amor,

Se você viesse.

21 de mai. de 2010



De que adianta se esconder do mundo, se munir de argumentos, se armar de escudos, e máscaras, e tantas faces, se quando o mundo quer, corre água por todo lado, que pode te tomar de gratas surpresas ou desgraças e moléstias imprevisíveis e pode ser que não haja pé capaz de correr do que está por vir?

será que está aí o erro?

acho que não me meto em relacionamento nenhum, aliás, nem cogito, sem antes pensar nos filhinhos, no sossego, na casa escondida, na horta no quintal. (às 02:45 da manhã numa conversa um tanto filosófica)

11 de abr. de 2010

das coisas que carrego comigo

carrego aqui dentro uma certeza:
de que a vida é sempre bonita, mesmo que por caminhos tortuosos.

carrego comigo a fé:
em mim, nos outros, no homem, no Homem.

carrego nos ombros dores dos outros, paixões mal-resolvidas, saudades eternas.

carrego um sorriso largo:
sorriso que não sabe se fechar, mas que nem sempre é sinal de felicidade; mas que jamais é falso. sorriso pra mim é filosofia de vida.

carrego nos olhos baixos tristeza:
talvez uma tristeza tão profunda que eu mesma não conheça bem;
talvez uma tristeza simétrica, ou assimétrica: tenho poucos e claros cílios, apesar da minha carinha de boneca.

carrego em mim uma paz de espírito que quase nunca se vê; sou furacão.

9 de abr. de 2010


em tese a vida é fácil:

acordar, comer, banhar, trabalhar, comer, banhar, dormir.

por vezes, amar. raras as doces vezes de amar.

será que é isso o que dificulta vida?

por vezes, sonhar. sonhar é um alívio pras querências.

por vezes, sofrer. sofrer é realmente preciso?


"o amor na prática é sempre ao contrário" Cazuza
pensa comigo:

frio dá fome,
fome dá gula,
gula dá vontade de comer doce.

frio com gula dá vontade de brigadeiro de colher.
brigadeiro de colher gasta meia-hora em cima da panela, mexendo sem parar.
e minha cama tá uma delícia.

e de segunda pra frente, vou ter que acordar 6:30 da manhã. todo dia.
e trabalhar o dia inteiro. trabalhar muito por um salário mísero.

mas num emprego bacana! poxa, um emprego! nem lembro a última vez que tive um... trabalho, faz tempo, sempre to trabalhando de um jeito ou de outro. mas emprego faz tempo... mas não desmereço meus trabalhos... em termos de dinheiro, talvez venha a ganhar até menos... mas, pô! empreeeego! fala isso pro seu pai, se ele prefere uns trampos ou emprego? aff! to feliz!

mas por outro lado, dói. é feio saber que meu currículo bacana vale muito em tese, mas que mal-mal eu pagarei as roupas que preciso comprar pra trabalhar bem-vestida.

aff... é só um desabafo! daqui de cima da minha cama confortável, de meia nos pés, no escurinho, curtindo preguiça no meio da tarde. talvez a última das minhas tardes de paz. talvez sonhando com a correria que virá.

pensa comigo: melhor ficar deitadinha aqui, não?

25 de jan. de 2010

4 de jan. de 2010

O ser sem palavras

Eu, tal qual Palomar, aquele de Calvino, queria morder a língua três vezes e emudecer antes de falar. Queria que me acabassem as palavras tal qual me inundam os pensamentos.

Eu, tal qual devia ser, sou mais sentimental que ele(s). E os deixo embalar a trilha sonora dos momentos de silêncio - ou de agonia - já que falam bem por mim.

Enquanto trabalho em excesso, me sobe pelo esôfago aquela intragável sensação de que ficar calada - e sozinha - literalmente dói. É como se, ao emudecer, engolisse ar para não falar - engolisse sapos para ter o tempo necessário de pensar.

Eu, tal qual no outro ano, passei por este a tão pouco findado a esmo: pensando muito, lendo pouco, tentando entender sempre mais de mim - talvez para tentar entender sempre mais dos outros.

Tentei outra vez que amor não doesse - e doeu. Pensei em desistir... mas não seria eu.

Me faltam palavras da boca pra fora - graças a Deus - mas sobra a certeza que nem sempre tudo precisa ser dito.

Bruna Veloso

22 de nov. de 2009

Porque Cazuza é a lição, mas Vinícius, a cartilha.

“E quando acaba a gente pensa que ele nunca existiu...”



“Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.”



Lição? “Quero a sorte de um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida.”

26 de out. de 2009

Beijos de Beco

Beijos de Beco
Kátia B
Composição: Katia B/ Laufer/ Fausto Fawcett

Eu uso batom e deixo minha boca vermelha
Eu digo que é bom e faço o que me dá na telha
E deixo que digam ,que pensem , que falem
Deixo que maltratem, desacatem por aí
Pois ninguém sabe, ninguém vê
O que eu sinto por você

Orgulho da soberba vontade
Imperativa que habita teu gozo
Inconsciente, é sonho inconsciente
Feminina fantasia que encurrala tua vida
Em beijos de beco,em beijos de beco
Na fronteira do desejo, do mistério, da vontade

Sei que a sua mente, sou a sua mente
Sei que a sua mente, sou a sua mente, sei da sua mente, seja sua mente

Sorrateria ênfase do impulso selvagem
Abandono tudo pra provocar
Sensação feminina que fascina
Sensação…

Sei que a sua mente, sou a sua mente
Sei que a sua mente, sou a sua mente, sei da sua mente, seja sua mente

dancing all night
kissing free
dance with me to make me happy
let me know you by the touch of your hands
while the world is running round and round
in your arms I disappear
eu me lembro
de voar
nos teus braços
bem devagar

9 de out. de 2009

da inevitável tarefa de ficar pra titia...

sou tão grande ao ver dos primos pequenos, que eles me perguntam porque eu não tenho filhos...

minhas amigas quase de infância: uma de resguardo, uma quase em trabalho de parto, uma quase comemorando 1 ano do gostoso do joão!

dá um pesinho de ver a vida passando, dá aquela vontade desajuizada que passa em um segundo de antecipar os filhos bochechudos mesmo com a certeza da hora errada, dá uma sensação nítida de que podia ser com você!

meu assunto atual maior é contração, batizado, lembrancinha de maternidade. pelo menos ganho uma afilhada gostosa logo logo e me contento em pageá-la. bom é que o exemplo tanto é tentador, quando é educativo...

haja juízo!

29 de jul. de 2009

bom de não ter nada, é que não há o que perder! :)

tudo que vale é família, tudo que vier é lucro, toda boa companhia é bem vinda.
todo bom vinho é dinheiro bem gasto, todo bom músico deveria tornar-se rico.

tudo que é feito com fé, suor, e amor, faz bem.

faço tudo o que posso, e não tenho nada. não tenho o que perder.




no entanto, ouço as melhores músicas, tenho bons amigos por perto, e fico pobre tomando vinho bom.

Solidão ( TOm zÉ)



Solidão, que poeira leve
Solidão, olha a casa é sua

Na vida, quem perde o telhado
Em troca recebe as estrelas
Pra rimar até se afogar
E de soluço em soluço esperar
O sol que sobe na cama
E acende o lençol
Só lhe chamando
Solicitando

Solidão, que poeira leve
Solidão, olha a casa é sua
O telefone chamou
Foi engano

Solidão, que poeira leve
Solidão, olha a casa é sua
E no meu descompasso o riso dela

Se ela nascesse rainha
Se o mundo pudesse aguentar
Os pobres ela pisaria
E os ricos iria humilhar
Milhares de guerras faria
Pra se deleitar
Por isso eu prefiro cantar sozinho

Solidão, que poeira leve
Solidão, olha a casa é sua
O telefone chamou, foi engano
Solidão, que poeira leve
Solidão, olha a casa é sua
E no meu descompasso passo o riso dela
Solidão (solidão)

8 de jul. de 2009

Porque Matamos Nossos Pais (Fernando Bonassi)

Porque a velocidade tende a abalar o equilíbrio dos tempos. Porque o espaço não se comporta como antigamente e foi cercado de interesses. Porque os interesses são maiores que a satisfação e a satisfação nos mete medo. Porque a exaltação do medo é igualmente erótica. Porque a energia é magnética e os opostos se retraem. Porque há mais oposição na igualdade do que sonham nossas consciências pesadas. Porque ninguém tem culpa. Porque nos enchem o saco. Porque nos deixam levar. Porque perdemos o rumo e, quando vamos perguntar, vossa ignorância nos assusta. Porque os jogos não domam nossos impulsos. Porque não sabemos o que fazer de nossa sofreguidão. Porque as pistas estão desencontradas, os marcos foram embaralhados e as lições não fazem sentido. Porque aprendemos o que não nos serve. Porque aquilo que nos serve não pode ser aprendido nos seios maternos. Porque há um incômodo moderno nas boas causas de família. Porque a família se reúne mas não se encontra. Porque os encontros são furtivos e recheados de gagueira ou porrada, quando não os dois. Porque a inocência está acabando. Porque a violência é um princípio. Porque é preciso crescer. Porque é preciso vencer. Porque é essa a pior herança com a qual temos que nos haver. Porque o preço da vitória pode ser alto demais. Porque haverão de nos incomodar menos. Porque a renda é mal distribuída e as gerações são mal-acostumadas. Porque o conforto e a serenidade suspeita de alguns é proporcional ao sofrimento dos muitos outros intranquilos. Porque é preciso enfrentar os mistérios do mercado e conhecer os valores das bolsas escondidas. Porque os armários fervem de contratos e as apólices dormem apetitosas nas gavetas. Porque as armas dos crimes se expõem desavergonhadas nas paredes. Porque Deus prefere ensinar a pescar por linhas tortas a nos entregar desde logo o peixe da razão. Porque a razão pode ser um mistério doloroso. Porque há prazer nisso tudo. Porque o prazer se tornou incomunicável. Porque os cientistas deram pra multiplicar as explicações. Porque a natureza está sem jeito, tornando as previsões imprevisíveis. Porque o descontrole contagia os púberes e seus púbis. Porque as drogas permitidas nos viciam de idéias. Porque podemos dançar a qualquer momento. Porque a História é essa mesma e deu pra repetir-se coberta de floreios. Porque nunca foi tão difícil saber pra que lado atirar... Porque somos vaidosos. Porque temos espinhas. Porque devemos superá-los, porque queremos escondê-los. Porque somos egoístas. Porque o estigma também nos qualifica entre mortos e feridos. Porque as soluções justas são postergadas. Porque o julgamento é lerdo e a pena é curta. Porque os corpos de delito culpam a burocracia das instituições e as instituições se defendem com salários extorsivos. Porque os diplomatas e os generais costumavam estar protegidos das bombas. Porque temos pressa. Porque temos asco. Porque é uma prova de amor terrível. Porque o amor e a desconfiança estimulam-se reciprocamente. Porque os heróis são amestrados e os vilões são instruídos. Porque os lares foram destruídos e os laços foram apertados nos pescoços dos mais fracos. Porque precisamos dar um livro, uma reportagem, uma novelinha que seja, se não pudermos mais plantar qualquer esperança numa árvore. Porque estamos cansados de esperar a esperança fincar nossas raízes e morrer por último. Porque somos calculistas e a indenização não é lá essas coisas. Porque o filho do peixe é limitado geneticamente. Porque somos psicopatas sociais e algemas nos excitam a imaginação. Porque a corda roída nessa vida parece um elástico que afina quando estica. Porque é preciso puxar um cabo de guerra. Porque as palavras se perderam das coisas e tudo parece brincadeira. Porque não pensamos ser capazes. Porque não pensamos. Porque temos preguiça. Porque pensamos sempre nisso. Porque é preciso alguma estratégia e a facilidade da burrice é indescritível. Porque todos estamos, de um modo ou de outro, "evoluindo para o óbito", conforme atestam os eufemismos dos relatórios médicos. Porque o sarcasmo é maior que a gratidão e a ironia mais tolerável que o senso de humor. Porque o bom senso dá no que deu. Porque deram os sinais de sua irresponsabilidade ao nos colocarem neste mundo de sem-vergonhice. Porque não somos melhores que os piores dos assassinos, ainda que nos tenham criado por baixo das saias protetoras. Porque há silicone onde deveria haver sangue, há sangue onde deveria haver remédio e há remédio onde deveria haver solução. Porque nos empurram nas barrigas e nos lançam em competições. Porque não somos bons atletas remunerados. Porque não damos lucro. Porque somos cínicos. Porque somos coitados. Porque os modelos são menos libidinosos que as modelos. Porque a beleza pode estar escondida em todas as coisas, por feiosas que sejam, por serem de Deus. Porque há os que preferem a certeza do inferno na terra ao risco do Paraíso no céu. Porque desse trabalho todo a população já está bem cheia, ainda que possa estar procurando qualquer coisa pra fazer entre os contínuos desempregos. Porque o salário é desse tamanho. Porque a expectativa também. Porque a aposentadoria apresenta as melhores garantias. Porque a experiência não salva quem quer que seja. Porque a segurança de quem se salva continua sendo mínima. Por puro acaso. Por um detalhe. Uma mania. Porque as posições são mesquinhas e os conceitos são medíocres, mas, principalmente, porque a paz verdadeira há de custar mais caro do que esse chapéu passado entre uns poucos bem intencionados.

23 de jun. de 2008

sobre não ser vítima

ando saudosista, ando reflexiva, ando estranhamente feliz.
acho que agora, finalmente sei quem sou. e sei quem não quero ser mais.
sei que a vida, e o meu presente, são exclusivamente problema meu. e que ninguém pode me "fuder" mais que eu mesma.
sei tambem que mesmo de longe, estou perto de todos aqueles que amo. parece que há uma esfera superior que nos une, os amo cada dia mais.
sinto falta das pessoas de bh, não da cidade. não suporto aquela cidade.
sinto falta da fafá e do gu bones, e seus sarcasmos eternos.
sinto falta da carência da arthuzzi e seus carinhos. da voz histérica da zé.
do abraço do marquito. de dormir agarrada no doug. sinto falta das cervejas reveladoras na savassi com a fafá. sinto falta do bubu, que nem sei mais onde está. sinto falta dos palcos, sinto mta falta de estar a prova em cena todos os dias, puta exercício. me contento dando aulas, novo desafio. sofro, mas me divirto.
resolvi que quero parar de sofrer tanto por tão pouca coisa, é sempre assim. talvez tenha que ser menos dramática, talvez tenha que ser mais corajosa, talvez tenha que ser menos idealista. aliás, idealismos não combinam comigo, detesto frescura.
ando gostando de ocupar as mãos pra esvaziar a cabeça.
ando com vontade de fazer as pazes, renovar as amizades. ando louca pra viajar.
ando feliz em estar solteira, finalmente. acho que agora preciso me apaixonar por mim.

é, talvez seja só isso...

5 de jun. de 2008

da chegada do fim do mundo

acho que o mundo está acabando. ou talvez o homem esteja acabando.
falta pouco pra o dia em que a falta de paciência gere a falta de reprodução da raça humana.

os poucos bons, ou normais, razoáveis, são bombardeados e maltratados e mal-amados pelos medíocres. e o mundo está resumido a isso. ou menos.

falta amor no mundo. falta amor em mim. me falta paciência. me falta entendimento.

me faltam razões para acreditar que é possível.

11 de mai. de 2008

coisas importantes a saber sobre mim:

não gosto de dependência. não gosto de gente que não gosta de independência.
não gosto de convenções, fórmulas, hierarquias, horários, métodos, segregações.
não gosto de indiferença, tenho pavor de competições. queria que as pessoas precisassem querer menos. a gente seria feliz mais facilmente com menos querências.

não gosto de limitações, detesto que queiram resolver minha vida pra mim, acho difícil errar e difícil ser mandada. preciso aceitar que errar é parte do jogo. detesto jogos, detesto meias-palavras, detesto eufemismos. gosto das palavras bem ditas, mesmo que só estejam ali nas entrelinhas. por isso talvez é que ame poesia. os meus bons poetas são aqueles que sabem exatamente o que dizem por trás de belas palavras.

leio menos do que gostaria, me sinto mais desesperançada do que gostaria, tenho mais tempo livre do que gostaria. me sinto muito desentendida, acho que falta em muitas pessoas a "lubrificação intelectual" de ler as minhas entrelinhas, que estão aqui, expostas nos meus olhos, que não sabem fingir, nem esconder. nos meus olhos que pedem que me decifrem.

tenho um sorriso estampado no rosto, que nem sempre reflete o que se passa no meu coração, mas que ainda assim não deixa de estar ali, segurando meus olhos tristes. sonho com segurança, tranquilidade, paz de espírito. sonho em ter um dia um restaurante e filhos. na praia. e uma vida muito tranquila.

não tenho grandes ambições ideológicas e acadêmicas, queria muito ter dinheiro pra ter uma vida tranquila, só. sem precisar morrer pra isso e sem precisar ficar rica pra ser feliz. não quero ser estrela, não quero fazer novela, não quero ser famosa. não quero ser referência, objeto de estudo, não quero criar métodos e ser admirada por eles.

quero ser a boa mãe que é a minha mãe. no momento certo. aí sim quero ser referência.

atualmente só consigo acreditar no amor fraterno. e acho muito bom ter bons amigos e me sentir amada, e ainda melhor ter capacidade de dizer a eles o quanto os amo.

acho que as pessoas seriam mais felizes se conseguissem se libertar das tais convenções que tanto detesto. acho que todos são melhores quando tem conhecimento de si e são capazes de lidar com as proprias vontades. independente das consequencias, independente do que pensam os outros, independente do que dizem os bons modos.

tenho certeza que queria um ombro onde enconstar pra dormir essa noite. tenho certeza que é dificil pra mim permitir que alguém entre desse modo na minha vida.

tenho certeza que chorar pra mim é uma coisa fácil, mas nem sempre por motivos fáceis. chorar é mais fácil que me abrir. mas não é melhor. ficam umas gotas guardadas que só abraço de amigo consegue secar.

adoro ficar de pé no chão, adoro o vento que vem do mar, adoro ter liberdade com as pessoas que me são caras. adoro poder dizer "trepar" em vez de "transar" e "vai tomar no cú" em vez de "vai tomar banho" com a certeza de que não ofendo.

há alguns anos ando me abrindo de cascas que me prendiam em mim mesma. queria ser menos exigente. a cada casca que sai descubro o quanto sou rigorosa comigo mesma, e o quanto há de beleza de dentro de tanta insegurança e tanta cobrança e tanto medo de errar.

ando me sentindo um pouco velha. um pouco atrasada. e isso é pura burrice! é mais uma das minhas cobranças! pela primeira vez na vida não sou a filha perfeita, que cumpre horários, que consegue tudo que quer, e devia estar feliz por estar conseguindo me permitir de certa forma fazer a coisa errada. quero tempo pra pensar, pra escrever. pra me organizar pra mim mesma.

queria entender tudo que me dizem, queria que todo mundo entendesse as coisas que eu digo.

sou muito impaciente, muito mesmo. no transito então, por vezes tenho desejos assassinos. não tenho muita paciência com as pessoas. elas normalmente tem que me provar primeiro que a antipatia que criei por elas é inútil. acho dificil conversar com qualquer pessoa sobre qualquer coisa, apesar de muita gente me achar o proprio "confessionario" ambulante.

eu queria que as pessoas quisessem me ouvir mais do que me contar, ou do que me apontar soluções superficiais pras coisas que parecem obvias mas não são.

queria acreditar que um dia vou construir uma família. hoje em dia me pego completamente desacreditada desse tipo de amor. aliás, tenho como conceitos muito distintos esse tal amor do que se chama desejo. acho que antes do amor somos bichos, acho sim que a gente sabe pelo cheiro, antes de pela ideologia, o que é que nos atrai. acho que misturar as duas coisas a ponto de trata-las como a mesma só complica ainda mais o que separado já pode ser muito complicado. tambem acho que nada é só uma coisa ou outra, ninguém é isso ou aquilo, apenas está. e devia ser mais fácil pra todo mundo respeitar o "estar" de cada um.

quero crer que sou um ser extremamente protegido. me pego pensando qual foi a ultima vez que eu rezei e não consigo me lembrar. mas tenho certeza da minha propria fé. sei que nada é por acaso, sei que Deus está comigo, sei que sou a todo tempo guiada, cuidada, protegida, pra seguir pelos caminhos certos para os momentos certos e fazer as melhores escolhas a cada um desses momentos.

sou um tanto vaidosa dentro da minha displicência. mas sem perder a displicência jamais.
não penteio cabelo, nunca, só quando acabo de lavar. mas não tiro a mão dele o dia inteiro e não perco uma chance na frente do espelho. não me sinto eu mesma sem meu esmalte vermelho, mas basta a ansiedade passar por perto e destruo todas as unhas. amo um chinelo e um short, mas sei exatamente qual é a imagem que passo com isso.

ando muito triste, me sentindo muito sozinha, mas sei que eu sofro mais do que preciso geralmente e fico muito feliz quando alguma coisa me prova que estava enganada. já dizia um velho amigo que sou dramática de natureza. outro dirá, é escorpiana. e sou, de sangue quente. mas sou mesmo é uma menina, ingênua, que quer acreditar na bondade das pessoas e quer pouco pra si mesma. que quer o direito da tranquilidade. e do amor. que quer muito ser mãe um dia e acha que nasceu pra isso. que quer muito ser boa, e ser respeitada sendo boa, e não abusada. que quer muito que o mundo se liberte das amarras que causam hoje o preconceito, a violência, o desamor, as tantas mágoas, as tantas mortes, as tantas mães sem filhos, as tantas dependências.

eu sou só uma menina que quis crescer antes do tempo e agora quer ser menina de novo.

carta a frederico - ode ao desasossego!

por mais que nem sempre eu entenda, é bom saber que eu sou entendida.

mas dá um aperto, um desasossego, que fica martelando sempre que alguém ousa me decifrar tão bem: porque me expreme e não me conforta?

tudo que eu quero é conforto, sossego, tranquilidade. pra sempre. tudo que eu quero é acalmar o que me tira do eixo todos os dias.

e de repente, sem que eu tenha escolha, passa um furacão que me pede respostas às minhas próprias perguntas... não sei se respondo por elas, ou por ele. não sei se entendo o pedido. não sei se é pra ser entendido.

sei que confio, sei que confundo. sei que no fundo somos farinha do mesmo saco. sei que por mais que tudo pareça passo em falso, e por mais que passo em falso pra mim seja estranho, quero mais é que você não tema dizer o que pensa, mesmo que imagine que possa me fazer mal. faz bem. me faz ver que eu sou menos só no mundo do que pareço ser.